Comunicação

Audiência pública debate a política de preços dos medicamentos genéricos


Alexandre Back
03/12/2015 - 15h56min

Audiência pública debate a política de preços dos medicamentos genéricos

FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

Parlamentares, profissionais da saúde e representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e do setor farmacêutico reuniram-se na manhã desta quinta-feira (3), na Assembleia Legislativa, em audiência pública para debater a política que normatizou os medicamentos genéricos no país e averiguar possíveis distorções nos valores cobrados no mercado por estes produtos. O evento foi realizado pela Comissão de Saúde, atendendo a requerimento do deputado Doutor Vicente Caropreso (PSDB).

Com o advento da Lei 9.787, de 1999, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi autorizada no país a comercialização, por qualquer laboratório, de medicamentos cujas patentes estivessem expiradas. Os produtos, denominados genéricos, devem conter a mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem e indicação que o medicamento original de referência, mas sem, no entanto, usar nome de fantasia ou marca.

Na legislação, também ficou estipulado que esta classe de medicamentos deveria custar, em média, 35% menos que suas referências, tendo em vista que as empresas que os produzem não precisam investir em pesquisas para o desenvolvimento das fórmula, nem em publicidade, pois todos os genéricos chegam ao consumidor em uma embalagem padrão, com uma tarja amarela onde identifica a letra “G”.

Passados 16 anos da entrada em vigor da legislação, a realidade é outra, destacou Vicente Caropreso, que verificou que, em muitas cidades do estado, os genéricos chegam a custar mais caro do que os produtos referência. “Encontramos um mesmo medicamento por R$ 60 e por R$ 160. Outro entre R$ 30 e R$ 110, uma variação considerável, que pesa no bolso de grande parte da população, por isso acredito que a situação merece ser investigada e a soceidade alertada”, afirmou o parlamentar, que também é médico neurologista.

O mesmo entendimento foi apresentado pelo deputado Fernando Coruja (PMDB), também médico. “É evidente que há aí uma distorção do modelo e precisamos de controles mais apurados, pois o custo dos medicamentos representa muito na manutenção da saúde pública.”

Caropreso afirmou que buscará, junto ao governo, uma redução do ICMS praticado ao setor, dos atuais 17% para 12%, a exemplo do que acontece em outros estados.

Preços ditados pelo mercado
A política de preços dos genéricos, conforme destacou a diretora da Assistência Farmacêutica da SES, Maria Teresa Agostini, é ditada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Já à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão ao qual o CMED está vinculada, cabe monitorar os valores cobrados pelos medicamentos que estão no mercado e auxiliar tecnicamente no estabelecimento do custo de novas drogas.

Ela acredita, entretanto, que a ocorrência de sobrepreço nos medicamentos genéricos não se deva a uma determinação dos órgãos oficiais, mas à volatilidade do próprio mercado. “Acho que esta é uma questão mercadológica mesmo, a qual um posicionamento diferente por parte dos consumidores, pesquisando e buscando alternativas de preços, pode ter influência direta.”

Segundo o representante da distribuidora de medicamentos Conforma, Emanuel Câmara, diferentemente da época em que a lei dos genéricos foi estabelecida, atualmente há muitas variáveis que devem ser consideradas na composição dos preços praticados por cada estabelecimento comercial. Ele citou a existência de programas de benefícios e compras pela internet, que permitem descontos a empresas e clientes conveniados. “O mercado é momentâneo e não conseguimos saber o que vai acontecer no ano que vem. Também não temos como intervir nesse processo.”

Devido a forte concorrência, as indústrias também têm baixado seus preços e, em alguns casos, os medicamentos referência podem ser encontrados a custos mais acessíveis do que os genéricos, observou o diretor do Sindicato Patronal de Itajaí, Sincofarma, Otto Luiz Quintino Júnior. “Pela perda de mercado, as farmacêuticas estão sendo obrigadas a lançar os medicamentos referência com preço abaixo dos genéricos, por isso as pessoas devem ficar atentas para esta opção.”

Já o diretor do Conselho Regional de Farmácias de Santa Catarina, Paulo Sérgio Teixeira de Araújo, recomenda que o consumidor procure orientações junto a um farmacêutico. “Além de tratar da farmacologia e prescrever a aplicação do medicamento, o farmacêutico poderá indicar alternativas com melhor preço.”

Também participaram dos debates os deputados Dalmo Claro (PMDB), Antonio Aguiar (PMDB), Cesar Valduga (PCdoB); Patrícia Rubia de Melo Dalazem, farmacêutica do Imperial Hospital de Caridade, de Florianópolis; Marcos Frutuoso, coordenador de Mercado do grupo Confarma, Andrei Mendes Arantes, representante da Associação Catarinense de Medicina.

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias