Comunicação

Mais que flores, atitudes: Alesc homenageia mulheres e alerta para números de feminicídio em SC


Simone Sartori
11/03/2026 - 15h29min

O Hall da Alesc ficou tomado por vozes femininas, cores e movimentos. Servidoras, colaboradoras e parlamentares se reuniram para marcar o Dia Internacional da Mulher em um encontro que, apesar do clima acolhedor, com música e decoração especial, teve como eixo central um alerta contundente: a violência contra as mulheres e os números de feminicídio no estado. A homenagem, mais do que uma celebração, transformou-se em um chamado à responsabilidade coletiva.

O presidente, deputado Julio Garcia (PSD), destacou a importância de reconhecer o papel das mulheres na sociedade, mas ressaltou que a data exige também reflexão e reação diante da realidade. Ele lembrou que Santa Catarina registrou 52 feminicídios em 2025 e milhares de medidas protetivas, apontadas como um sinal de risco iminente.  Para o parlamentar, a construção de uma sociedade mais justa passa pela educação, pelo respeito cotidiano e pela vigilância diante de atitudes desrespeitosas, dentro e fora do ambiente institucional.

Segundo ele, a celebração promovida pela Assembleia ocorre como um “grito de alerta” para que discursos sejam acompanhados de atitudes concretas. “Um estado como o nosso civilizado, bem educado, que nós nos orgulhamos de dizer que é o melhor da federação. Que estado é esse onde os homens ainda matam as mulheres? Se a cada ato nosso no cotidiano nós nos lembrássemos daquela que nos gerou, certamente agiríamos diferente. É preciso construir uma sociedade que respeite. Não queremos desigualdade, não queremos que o homem seja superior nem que a mulher seja superior. Queremos simplesmente que todos sejam iguais e se respeitem. Precisamos de mais do que discurso, mais do que palavras: atitude. O momento é de ter atitude, e nós homens temos essa responsabilidade.”

A deputada Luciane Carminatti (PT) direcionou sua fala especialmente às mulheres que atuam diariamente na Casa, destacando o papel essencial das servidoras efetivas, comissionadas e terceirizadas. Ao mesmo tempo, chamou atenção para a baixa representatividade feminina no Parlamento catarinense, lembrando que, ao longo da história, apenas 12 mulheres foram eleitas deputadas estaduais. Para ela, a violência política e o silenciamento das mulheres ainda são obstáculos estruturais, que exigem mudanças culturais profundas.

A parlamentar também defendeu o engajamento dos homens no enfrentamento à violência de gênero, afirmando que a transformação passa por atitudes cotidianas e pela construção de relações baseadas no respeito e na igualdade.  “O nosso debate é a horizontalidade entre os homens e mulheres lado a lado, construindo a vida, o mundo, as relações com respeito, com paz e solidariedade. É isso que a gente quer.”

O deputado Napoleão Bernardes (PSD) ressaltou a contribuição decisiva das mulheres para o funcionamento do Legislativo, destacando a competência técnica e a sensibilidade das profissionais que integram o corpo institucional. Ele reconheceu a importância de valorizar o trabalho feminino e de fortalecer ações que promovam equidade dentro e fora do Parlamento. “Nosso carinho e respeito a todas as servidoras, que com eficiência transformam de fato as ações do nosso Parlamento, nos tornando referência. Parabéns pela garra e coragem de cada uma de vocês.”

O deputado Marcos da Rosa (União) reforçou o compromisso da Assembleia com as pautas relacionadas à valorização das mulheres. “Reafirmamos nosso compromisso com a valorização das mulheres na sociedade, e parabenizo cada uma que doa seu tempo e seu trabalho para ajudar a construir uma Alesc ainda melhor.”

Durante a programação, foi exibido um vídeo institucional com protagonismo das mulheres que atuam na Alesc, intitulado “A força que mantém a Alesc também é feminina”. A produção destacou a ressignificação do conceito de força, associando-o à coragem de ter voz, enfrentar limites e ocupar espaços. – Disseram que ser forte é não chorar, agüentar tudo sozinha ou  silenciar. Mas a força é decidir, é ter voz, enfrentar os desafios, é estar aqui!

Além do evento central, a Assembleia organizou uma agenda especial ao longo do mês de março, com palestras, atividades de defesa pessoal e ações voltadas à saúde e ao bem-estar, reforçando a proposta de que o reconhecimento do papel das mulheres deve ser acompanhado por iniciativas práticas de cuidado, proteção e valorização.

A homenagem evidenciou que, embora haja motivos para celebrar, o enfrentamento à violência e à desigualdade permanece como desafio urgente, exigindo mobilização institucional e social contínuas.

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