Comunicação

Acervo de arte do Legislativo integra o patrimônio cultural catarinense


26/07/2011 - 21h00min

Magda de Araújo Narciso

Magda de Araújo Narciso

A partir de aquisições e doações espontâneas de artistas e apreciadores de arte, a Assembleia Legislativa da Santa Catarina compôs uma eclética coleção de obras. O início do acervo do Legislativo estadual confunde-se com a própria história do Poder e hoje conta 238 obras, compostas por pinturas, gravuras e esculturas de renomados artistas estrangeiros e brasileiros, entre eles muitos catarinenses. O Parlamento intensificou as doações com a aprovação da Resolução 986, de 2002, que estimula os autores de obras expostas na Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho, localizada no hall do Palácio Barriga Verde, a deixar um trabalho para ser exposto permanentemente nas dependências da Casa.
Com mais de um século de existência, iniciado com a criação das Assembleias Provinciais, há 177 anos, o acervo possui estilo heterogêneo, com obras de grande valor artístico, pecuniário, histórico ou apenas estimativo. Visando preservar e valorizar este patrimônio artístico-cultural que pertence à sociedade catarinense, tendo como responsável por seus cuidados o Poder Legislativo, a Coordenadoria de Eventos, por intermédio da Gerência Cultural, faz a catalogação das peças, além de fotografá-las e divulgá-las com o respeito e o reconhecimento que seus autores merecem.
Entre as obras de maior vulto do acervo estão “O Naufrágio”, do catarinense Eduardo Dias; “Cais Beira Mar”, do também catarinense Martinho de Haro; “Desterro 1700”, do artista Rodrigo de Haro; “Opus 1 e Opus 2”, da artista Maria Polo, natural de Veneza (Itália); e “A Conquista”, do espanhol Antonio Mir. Estes e outros trabalhos permanecem expostos nos corredores e demais ambientes da sede do Poder Legislativo, transformando o Palácio Barriga Verde em uma grande galeria de arte.
Distribuídos de maneira harmoniosa pelas salas, corredores e gabinetes, as peças podem ser apreciadas por cerca de 2.000 pessoas por dia, média de visitantes recepcionados pela Casa. “Com isso, a Assembleia busca contribuir para a preservação e difusão da história e da cultura, disseminando a arte, homenageando a diversidade e desenvolvendo o senso artístico”, afirma a gerente cultural Magda de Araújo Narciso.
Manter as obras protegidas contra os efeitos do tempo é uma das prioridades da Gerência Cultural, que atualmente dispõe de um profissional qualificado para atuar na limpeza, conservação e restauração das obras. Tirando as perdas que o acervo teve em 1956, quando um incêndio atingiu as dependências da primeira sede própria do Legislativo, o Palácio do Congresso, a coleção segue intacta, zelando pela conservação das peças, entre elas uma das obras mais antigas do patrimônio, “A Constituinte de 1891”, pintada pelo carioca Galdino Guttmann Bicho, em 1920, hoje exposta na presidência da Casa.

Cuidados com a conservação

Responsável pela manutenção do acervo de obras de artes da Assembleia Legislativa, o escultor Antônio Francisco Cervi, conhecido como Kiko, explica que o principal objetivo da sua atuação é a conservação das peças. De acordo com o artista, o tratamento dos elementos físicos da obra e o cuidado com a interferência do meio ambiente através da adaptação das condições externas – como temperatura, umidade, iluminação e qualidade do ar -, adiam o processo de deterioração. Com cuidado, é possível favorecer os materiais constitutivos de cada peça.
Já o processo de restauração, segundo Kiko, inclui os procedimentos de conservação, uma vez que esses dois aspectos estão interligados, atrelados especificamente aos valores históricos e estéticos da obra de arte. Na visão do artista, o ideal é conservar para evitar a restauração, sendo que esta prática exige uma formação bastante específica e criteriosa para resgatar os valores únicos do exemplar.
Sem dificuldades para encontrar material apropriado para trabalhar com restauração, Kiko mencionou que a experiência e a dedicação são aliadas para a realização de um bom trabalho. Entre algumas obras do acervo de arte do patrimônio cultural do Parlamento restauradas, Kiko destacou as esculturas “A Guerreira” e “Anjo Guerreiro”, ambas do artista catarinense Paulo Siqueira, e a galeria com o retrato dos ex-presidentes da Casa. (Tatiani Magalhães)

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