
A Assembleia Legislativa também irá participar da campanha institucional do Grupo RBS: Crack, Nem Pensar, lançada ontem (1º). De acordo com o presidente do Parlamento, deputado Jorginho Mello (PSDB), este é um tema que merece total atenção. Ele defende que o foco deve estar, principalmente, na mobilização pela prevenção como forma de dar um basta ao rápido avanço do crack. O assunto deverá ser incorporado na Agenda Positiva da Assembleia Legislativa. As ações de prevenção e esclarecimento vão ser transmitidas também pelos veículos de comunicação da Casa.
“Craque nós queremos apenas nos times de Santa Catarina. Crack, não! Esta é uma das drogas mais letais e que, por seu preço baixo, se dissemina de maneira alarmante, tornando as pessoas dependentes em pouco tempo”, comentou Jorginho Mello. O parlamentar entende que o tratamento é uma etapa mais difícil de ser empreendida por causa do pouco apoio financeiro. “Temos trabalhar mais fortemente na prevenção, mas não adianta apenas dizer ao jovem que largue do vício. Temos que oferecer oportunidades, pois em muitas localidades carentes a venda da droga é a fonte de renda de muitas famílias. Em muitas favelas, o gás que faz a comida é produto econômico da droga”, comenta. Jorginho acredita que, entre tantos problemas sociais, a droga pode ser definida como um dos mais graves, pois dilacera a unidade familiar.
“Precisamos ter, efetivamente educação e oportunidade, pois o caminho da droga é, muitas vezes, uma questão de sobrevivência. E neste contexto a RBS está de parabéns pela iniciativa da campanha e pelo painel da mais alta credibilidade sobre este assunto”, comentou o presidente. (Scheila Dziedzic/Divulgação Alesc)
Saiba mais sobre o crack
O que é o crack: a pedra de crack é produzida com a mistura de cocaína e bicarbonato de sódio ou amônia. Sua forma sólida permite que seja fumada.
Como é o uso: o usuário queima a pedra de crack em cachimbo e aspira a fumaça. O crack também é misturado a cigarros de maconha, chamados de piticos.
O efeito: o crack chega ao cérebro em oito a 12 segundos e provoca intensa euforia e autoconfiança. Essa sensação persiste por cinco a 10 minutos. Para comparar: ao ser cheirada, a cocaína em pó leva de 10 a 15 minutos para começar a fazer efeito.
A dependência: a fumaça do crack atinge rapidamente o pulmão, entra na corrente sanguínea e chega ao cérebro. É a forma de uso, não a composição, que torna a pedra mais potente.
Consequências para a saúde
Intoxicação pelo metal: o usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o crack. Além do vapor da droga, ele aspira o alumínio que se desprende com facilidade da lata aquecida. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos.
Fome e sono: o organismo passa a funcionar em função da droga. O dependente quase não come ou dorme. Ocorre um processo rápido de emagrecimento. Os casos de desnutrição são comuns. A dependência também se reflete em ausência de hábitos básicos de higiene e cuidados com a aparência.
Pulmões: a fumaça do crack gera lesão nos pulmões, levando a disfunções. Como já há um processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo tosse, falta de ar e dores fortes no peito.
Coração: a liberação de dopamina faz o usuário de crack ficar mais agitado, o que leva a aumento da presença de adrenalina no organismo. A consequência é o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Problemas cardiovasculares, como infarto, podem ocorrer.
Ossos e músculos: o uso crônico da droga pode levar à degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, chamada rabdomiólise.
Sistema neurológico: oscilações de humor: o crack provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta em deficiências de memória e de concentração, oscilações de humor, baixo limite para frustração e dificuldade de ter relacionamentos afetivos. O tratamento permite reverter parte dos danos, mas às vezes o quadro é irreversível.
Prejuízo cognitivo: pode ser grave e rápido. Há casos de pacientes com seis meses de dependência que apresentavam QI equivalente a 100, dentro da média. Num teste refeito um ano depois, o QI havia baixado para 80.
Doenças psiquiátricas: em razão da ação no cérebro, quadros psiquiátricos mais graves também podem ocorrer, com psicoses, paranoia, alucinações e delírios.
Sexo: o desejo sexual diminui. Os homens têm dificuldade para conseguir ereção. Há pesquisas que associam o uso do crack à maior suscetibilidade a doenças sexualmente transmissíveis, em razão do comportamento promíscuo que os usuários adotam.
Morte: pacientes podem morrer de doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e relacionadas ao enfraquecimento do organismo (tuberculose). A causa mais comum de óbito é a exposição à violência e a situações de perigo, por causa do envolvimento com traficantes, por exemplo. (Informações do site da campanha – http://zerohora.clicrbs.com.br/especial/sc/cracknempensar)

