
A descentralização da alta complexidade em pediatria e problemas do atendimento básico em saúde na região do Alto Vale do Itajaí foram tema de audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Volnei Morastoni (PT), nesta sexta-feira (3), em Rio do Sul. A partir do conjunto das reivindicações colhidas, a comissão vai elaborar um relatório que será apresentado ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que estará em Florianópolis no dia 8 de julho.
A falta de credenciamento para os atendimentos especializados, a carência de médicos pediatras, o déficit financeiro e a alta rotatividade de profissionais nos hospitais destacaram-se entre as dificuldades debatidas durante a audiência. Existem 28 municípios e 22 unidades hospitalares no Alto Vale do Itajaí, sendo os três principais o Hospital Bom Jesus, de Ituporanga, o Hospital Miguel Couto, de Ibirama, e o Hospital Regional do Alto Vale, de Rio do Sul.
A manutenção dos hospitais representa uma carga financeira grande para as prefeituras, de acordo com o deputado Jorge Teixeira (DEM). A carência de profissionais da área médica foi outro ponto destacado pelo parlamentar. O deputado Sargento Amauri Soares (PDT) destacou a importância do debate para o diagnóstico e o encaminhamento de soluções, uma vez que “os problemas da saúde em Santa Catarina se avolumam e são graves.” Dentre outras medidas, frisou a necessidade de mais investimento para reajustar a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer o serviço.
O promotor da Infância e da Juventude, Marcelo Mengarda, afirmou que o Ministério Público Estadual tem uma preocupação com a contratação de profissionais, pois faltam médicos pediatras para trabalhar nos plantões hospitalares. “A pediatria em plantão permanente é uma regra que precisa ser cumprida para que o Hospital Regional não perca o credenciamento de alta complexidade em pediatria.” Além da pediatria, outra deficiência na região são os atendimentos em ortopedia, que registra filas de até dois anos para procedimentos, conforme a secretária de Saúde de Rio do Sul, Sueli de Oliveira.
A audiência realizada em Rio do Sul faz parte de uma série que a Comissão de Saúde tem promovido em todas as regiões do Estado para fazer um diagnóstico do setor. O assunto já foi debatido no Sul do Estado, na Grande Florianópolis, no Oeste e no Planalto Serrano. Para o deputado Volnei Morastoni, a falta de médicos pediatras no interior é um fator preocupante, que precisa ser resolvido. Outro aspecto relevante diz respeito à alta rotatividade dos profissionais, decorrente da falta de valorização profissional. “Sem uma política de humanização da saúde e de valorização da equipe, não há fixação e não se desenvolve o profissionalismo porque não se tem satisfação e reconhecimento”, defendeu.
Déficit
Administrado pela Fundação de Saúde do Alto Vale, o Hospital Regional é o que apresenta a situação financeira mais delicada, de acordo com os dados apresentados na audiência. No primeiro trimestre de 2011, a unidade hospitalar apresentou um déficit mensal de cerca de R$ 300 mil, informou Vilson Schulle, presidente da fundação. O acumulado das dívidas ultrapassa R$ 17 milhões.
A prefeita de Mirim Doce, Maria Luiza Kestring Liebsch, lembrou que fazer saúde tem custo e que as prefeituras extrapolam muito os investimentos em saúde, por isso vivem no limite da responsabilidade fiscal. Ela cobrou mais participação do Estado e da União. “Estamos sempre correndo para resolver as urgências, nunca conseguimos investir em prevenção.”
O representante da Secretaria de Estado da Saúde, Valter Gomes, ressaltou a urgência no reajuste da tabela do SUS. Ele também falou sobre a necessidade de que os hospitais pequenos voltem sua atuação para um atendimento vocacionado, conforme prevê a política de atendimento em rede do Ministério da Saúde. (Lisandrea Costa)

