
Promovida pela Assembleia Legislativa, através da Comissão de Turismo e Meio Ambiente, a audiência pública realizada na tarde de ontem (21) na Câmara de Vereadores de Urubici debateu propostas de infraestrutura para o Morro da Igreja, um dos mais importantes pontos turísticos do estado, especialmente no inverno, quando é comum a ocorrência de neve. O encontro, conduzido pelo presidente da comissão, deputado Décio Góes (PT), reuniu parlamentares, autoridades, sociedade e entidades ligadas ao meio ambiente. O principal encaminhamento tirado durante o encontro foi a elaboração de um projeto arquitetônico.
Localizado no topo da Serra catarinense, a 930m de altitude, o município de Urubici abriga o Morro da Igreja, um dos pontos mais altos do Sul do Brasil, com 1.828 metros de altitude, e onde se registram as mais baixas temperaturas do país. A mínima já chegou a -17,8º que, por causa do vento quase permanente, resulta em sensação térmica de -40º. Além de paisagens deslumbrantes que atraem turistas do mundo inteiro, a cidade oferece a seus visitantes 45 atrativos turísticos, 39 sítios arqueológicos, 88 cachoeiras e 30 unidades hoteleiras entre o perímetro urbano e rural.
Com tantos atrativos, a cidade, hoje conhecida mundialmente, passou a receber um fluxo de turistas que cresce a cada ano. Uma das principais atrações é a famosa Pedra Furada, uma intrigante obra da natureza, com uma abertura de 30 metros de circunferência, que ganhou destaque no país como uma das formações mais curiosas existente. No entanto, o difícil acesso e a falta de segurança no Morro da Igreja, onde está localizado o atrativo, preocupam as autoridades de Urubici.
Diante do problema, o deputado Edison Andrino (PMDB), requerente da audiência pública, disse que a obra de infraestrutura prevê a construção de um deck, sanitários e até mesmo uma cafeteria, além de medidas de segurança. “Esse é um projeto viável e sem grandes custos. Basta ser elaborado com responsabilidade para que o meio ambiente seja preservado”, frisou.
Na visão do líder do governo no Parlamento catarinense, deputado Elizeu Mattos (PMDB), o Morro da Igreja é visto como cartão postal da Serra catarinense. “Hoje demos o primeiro passo. Com o projeto arquitetônico em mãos e a parceria formada pelos governantes do município e região, o Poder Legislativo será o elo entre os parceiros e a angariação de recursos para a iniciativa”, acrescentou.
Segundo Décio Góes, o simples fato de a Aeronáutica, o Instituto Chico Mendes e o governo municipal estarem de acordo com a elaboração do projeto já é meio caminho andado, uma vez que essas entidades são responsáveis pela preservação do lugar. “A Aeronáutica, por possuir no topo do Morro da Igreja o Centro de Controle do Tráfego Aéreo no Sul do Brasil, através do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), o instituto, que desenvolve ações para conservação e a proteção ambiental, e a prefeitura, responsável pelas ações do município”, argumentou.
Para o deputado Reno Caramori (PP), independente de em qual município, “o turismo em Santa Catarina precisa ser estimulado e nossa maior riqueza é a natureza. Porém a natureza não pode fazer tudo sozinha. É preciso aprimorar. O que pretendemos com esse projeto é preservar esse ponto turístico de Urubici com o aprimoramento do homem”.
Entre as explanações, o prefeito de Urubici, Adilson Jorge Costa (PMDB), junto à secretaria de Turismo do município, Nádia Correia de Oliveira, reconheceram que o turismo da região tem crescido positivamente e que a cidade só tem a ganhar com esse empreendimento. “Estamos na luta por um turismo sustentável”, comentou Nádia.
Considerada peça fundamental nessa iniciativa, a Santur, representada por seu presidente, Valdir Walendowsky, mencionou que desde 2003 vem trabalhando em conjunto com a Secretaria de Turismo de Santa Catarina para promover o turismo nacional e internacional do estado. “Vamos aprimorar esse projeto e tirar do papel, pois Urubici está presente em 100% do material de divulgação do Estado”, revelou.
Sugestão de projeto
Diante das propostas, Michel Pomena, chefe do Parque Nacional de São Joaquim, visando preservar o meio ambiente no local, apresentou um pré-projeto sugerindo a criação de um Centro de Visitantes, com instalações um pouco abaixo do topo do Morro da Igreja. Segundo Pomena, a partir da criação do centro os turistas passariam a ter informações turísticas, com local para descanso, alimentação, manobra para os veículos e, acima de tudo, segurança. “Com um centro assim podemos fazer a triagem de visitantes, liberando aos poucos grupos para chegarem até o topo. Assim estaríamos garantindo a segurança e preservando o local que, com um fluxo intenso de turistas sem instruções, pode ter suas características naturais danificadas”, argumentou. Tendo como base essa proposta, ficou acertado que dentro de 14 dias a parceria formada deverá apresentar um projeto arquitetônico para a Aeronáutica e o Instituto Chico Mendes. (Tatiani Magalhães/Divulgação Alesc)

