Comunicação

Audiência pública interrompida intensifica debates no plenário


Vítor Santos
08/11/2016 - 19h30min

Audiência pública interrompida intensifica debates no plenário

FOTO: Miriam Zomer/Agência AL

O encerramento abrupto da audiência pública que debateu a alteração das regras curriculares do Ensino Médio intensificou os debates no plenário na sessão da tarde desta terça-feira (8). “Quando até o presidente do Conselho Regional de Educação Física, que tinha posição contrária à MP 746/2016, foi vaiado, percebi que havia uma condução politizada para não levar adiante o bom debate e decidi encerrar”, justificou Antonio Aguiar (PMDB), presidente da Comissão de Educação e autor do requerimento da audiência pública realizada nessa segunda-feira.

Segundo o parlamentar, a proposta era subsidiar o Fórum Parlamentar Catarinense. “Mas não foi possível colher sugestões”, reconheceu Aguiar, que criticou os estudantes por impedirem o representante do Ministério da Educação de falar. “Ele foi interrompido várias vezes, não conseguiu concluir e ele é o coordenador de Ensino Médio do ministério, se retirou porque tinha viagem marcada”, explicou Aguiar.

Luciane Carminatti (PT) culpou o representante do MEC pelo impasse. “O ministério mandou uma pessoa despreparada, metade da mesa não havia falado e o representante levantou e foi embora dizendo que precisava ir para o avião. Nessa hora os estudantes não queriam ouvir mais ninguém, queriam saber por que foi embora e aí os ânimos se exaltaram”, descreveu Carminatti, que continuou o diálogo com os estudantes após o encerramento da audiência.

“Todos os estudantes falaram, a reunião terminou com normalidade e entendimento”, revelou Carminatti, que agradeceu o apoio dos servidores e dos policiais que permaneceram no local até o final da reunião. “Fizemos a nossa parte”, garantiu.

Mauricio Eskudlark (PR) criticou a interrupção e responsabilizou partidos e sindicatos pelo comportamento dos estudantes. “Eles estão sendo utilizados por partidos que a sociedade deu um puxão de orelhas, ao invés de fazerem greve, porque a sociedade não aceita, estão usando jovens para invasões, tudo isso é manipulado pela CUT e por partidos de esquerda”, disparou o representante do Partido da República.

Primeira infância
Fernando Coruja (PMDB) anunciou que pretende dedicar atenção especial à primeira infância. “Pretendemos discutir com mais detalhes as políticas públicas para a primeira infância, debater com vários órgãos este momento especial da vida, às vezes a criança não está na escola, não tem a atenção devida da família e o estado está ausente”, afirmou Coruja.

Reviver não pode morrer
Ismael dos Santos (PSD) pediu apoio dos colegas para a continuidade do programa Reviver em 2017. “O Reviver não pode morrer”, apelou Ismael, que lamentou o fato de que, diante da crise econômica, “o primeiro corte é na área social”. O deputado lembrou que de agosto de 2015 a junho de 2016 foram investidos R$ 7,3 milhões no acolhimento de dependentes químicos.

O deputado informou que por questões burocráticas o pagamento de cerca de R$ 1 milhão às comunidades terapêuticas atrasou uma semana. Além disso, Ismael questionou a oportunidade da Secretaria de Estado da Saúde gerir o programa. “É preciso sintonia”, ponderou o representante de Blumenau.

O país não está quebrado
Carminatti defendeu na tribuna que o Brasil não está quebrado. “Temos um conceito muito ruim sobre nossa capacidade, é a síndrome de vira-lata, mas este país não está quebrado, enfrentamos uma crise, como todos os demais países enfrentaram, a Grécia, Espanha, Portugal, vários países ainda estão enfrentando crises e o Brasil não é uma ilha”, argumentou Carminatti, que responsabilizou a diminuição do comércio global pelo desemprego.

A deputada apontou o Produto Interno Bruto (PIB), avaliado em R$ 6 trilhões, para justificar a fortaleza da economia brasileira. Ela também lembrou que somente os processos transitados em julgado de sonegação fiscal totalizam R$ 252 bilhões. “Alguns querem passar a imagem de que o Brasil está quebrado, que tem déficit de R$ 170 bilhões, mas o Brasil não é diferente dos outros países, ninguém trabalha com déficit zero, nos EUA o déficit é de mais de 60% do PIB”, comparou a representante de Chapecó.

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