Comunicação

Audiência pública na Alesc debate preparação de Santa Catarina para possíveis impactos do El Niño


Encontro reuniu representantes do poder público e especialistas para discutir medidas de prevenção, resposta e mitigação diante da previsão de um fenômeno de forte intensidade.

Simone Sartori
06/07/2026 - 16h16min

Audiência pública na Alesc debate preparação de Santa Catarina para possíveis impactos do El Niño

Foto: Beuno Collaço/Agência Alesc

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A Comissão de Defesa Civil e Desastres Naturais da Alesc realizou, na tarde desta segunda-feira (6), uma audiência pública para discutir os planos e ações das Defesas Civis estadual e municipais diante dos impactos climáticos previstos para o segundo semestre de 2026 em razão da possível atuação do fenômeno El Niño.

O encontro reuniu representantes do governo do Estado, prefeitos, vice-prefeitos, coordenadores municipais de Defesa Civil, especialistas e entidades ligadas à gestão de riscos e desastres.

O objetivo foi fortalecer a integração entre os entes públicos, permitindo que os municípios tenham acesso a informações atualizadas sobre os prognósticos climáticos, protocolos de prevenção, elaboração de planos de contingência, fluxos de comunicação, acesso a recursos emergenciais e medidas prioritárias de mitigação.

El Niño pode ganhar força

A audiência ocorre em um momento de atenção redobrada. Conforme dados apresentados pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, há probabilidade superior a 80% de formação do fenômeno entre julho e agosto deste ano, com possibilidade de intensificação ao longo da primavera e do verão.

O cenário pode favorecer chuvas acima da média, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra e outros eventos extremos.

Durante a audiência, o meteorologista Leandro Puchalski explicou que o El Niño é um fenômeno climático global provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, associado a mudanças na circulação atmosférica.

Segundo ele, embora o fenômeno se forme a milhares de quilômetros de Santa Catarina, seus efeitos alteram o comportamento do clima em diversas regiões do planeta.

“No Sul do Brasil, a principal consequência costuma ser o aumento dos volumes de chuva, especialmente entre a primavera e o início do verão.

Isso não significa que vai chover continuamente ou que todas as regiões serão atingidas da mesma forma.

A definição das áreas mais afetadas depende das previsões de curto e médio prazo, que precisam ser acompanhadas constantemente.”

Puchalski também explicou que o episódio previsto para este ano chama atenção pela rapidez de sua formação e pela intensidade projetada.

“O fenômeno começou antes do período normalmente esperado e ganhou força rapidamente.

A tendência é que alcance intensidade forte ou muito forte ainda no fim do inverno ou início da primavera.

Isso aumenta a atenção dos órgãos de monitoramento, embora intensidade maior não signifique, necessariamente, que haverá mais estragos.”

Municípios reforçam ações de prevenção

Representando a Federação Catarinense de Municípios (Fecam), o consultor em Defesa Civil Márcio Luiz Alves ressaltou que a preparação da população é uma das principais medidas para reduzir os impactos de possíveis desastres.

“Quem enfrenta o primeiro impacto de um desastre é a própria comunidade. Por isso, orientar as pessoas é fundamental.

Também é importante que os municípios realizem a limpeza de rios, valas e sistemas de drenagem para facilitar o escoamento da água e reduzir os riscos de alagamentos.”

Defesa Civil reforça preparação

O diretor de Gestão de Riscos da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, Luís Eduardo Machado, apresentou as ações que vêm sendo desenvolvidas pelo governo para ampliar a capacidade de resposta caso o fenômeno provoque eventos extremos.

Segundo ele, as bacias hidrográficas do Vale do Itajaí e do rio Tijucas permanecem entre as áreas que exigem maior atenção, embora o monitoramento ocorra em todas as regiões catarinenses.

“As barragens estão entre os principais focos neste momento.

Estamos ampliando nosso centro logístico, reforçando contratos e fortalecendo toda a estrutura operacional para responder rapidamente caso seja necessário.”

Machado alertou para um desafio diferente caso as chuvas se prolonguem por várias semanas.

“O Estado está preparado para responder a eventos súbitos.

O grande desafio é se tivermos um período prolongado de chuvas, não ficarmos presos em uma única etapa, apenas na resposta, sem progredirmos para a reconstrução.

Estamos trabalhando para que possamos estar preparados para mitigar, responder e reconstruir.”


ALESC EXPLICA

O que é o fenômeno El Niño?

É um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta, incluindo o Sul do Brasil.

Por que Santa Catarina monitora o El Niño?

Porque o fenômeno pode aumentar a ocorrência de chuvas intensas, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra, exigindo ações preventivas dos órgãos públicos e dos municípios.

O que é um plano de contingência?

É um documento que reúne procedimentos e estratégias para orientar a atuação dos órgãos públicos antes, durante e após situações de emergência ou desastre.

O que faz a Defesa Civil?

A Defesa Civil monitora as condições climáticas, coordena ações de prevenção e resposta, orienta os municípios e atua para reduzir os impactos de eventos extremos sobre a população.

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