Comunicação

Autores de projetos defendem manutenção de vetos e geram debate


Marcelo Espinoza
07/05/2019 - 22h07min

Deputado Ivan Naatz (PV) questionou decisão de deputados que tiveram projetos de sua autoria vetados pelo Executivo.

Deputado Ivan Naatz (PV) questionou decisão de deputados que tiveram projetos de sua autoria vetados pelo Executivo.

FOTO: Rodolfo Espínola/Agência AL

A concordância de deputados autores de projetos vetados pelo Poder Executivo com manutenção dos vetos motivou vários debates entre os parlamentares, durante a sessão ordinária desta terça-feira (7) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. As três mensagens de veto apreciadas pelo Plenário durante a sessão foram mantidas.

No PL 80/2018, o autor, deputado Valdir Cobalchini (MDB), concordou com a manutenção do veto. A matéria criava o projeto “Dinheiro na Escola” na rede pública estadual de ensino, com o objetivo de disponibilizar aos gestores uma quantia mensal de recursos para gasto com pequenos reparos no estabelecimento de ensino. O governo vetou com a justificativa de que o PL deveria ter sido proposto pelo Executivo, e não pelo Legislativo.

Cobalchini reconheceu que o Poder Executivo ampliou, no começo deste ano, iniciativa semelhante à proposta em seu projeto de lei. Além disso, obteve do governo o compromisso que será encaminhada matéria à Alesc para transformar a iniciativa em um programa permanente.

O veto que mais gerou discussões, no entanto, trata do PL 184/2015, do deputado Rodrigo Minotto (PDT), que tornava pública a agenda dos agentes políticos do governo estadual, entre eles governador e secretários de Estado. O Executivo argumentou que, além do vício de origem, o veto era necessário, pois a iniciativa poderia colocar em risco a segurança das autoridades e seus familiares.

A exemplo de Cobalchini, Minotto defendeu a manutenção do veto. Mas, diferentemente do que ocorreu no PL sobre o Dinheiro na Escola, a proposta de Minotto contava com parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pela derrubada do veto. O parlamentar argumentou que daria um voto de confiança ao governo, que se comprometeu a enviar para a Alesc projeto de lei com teor semelhante.

O líder do governo, Maurício Eskudlark (PR), aproveitou o posicionamento de Minotto e defendeu a manutenção do veto, ao afirmar que o atual governo é o mais transparente possível. “Todos os atos dele estão nas redes sociais. Tem uma atitude totalmente transparente.”

Ivan Naatz (PV) foi o primeiro a questionar a atitude dos deputados. “Fico pasmo, porque nós discutimos na CCJ essa matéria, foi derrubada, e agora querem desistir? Então, estamos fazendo o que na CCJ? Discutir três, quatro vezes uma matéria para depois fazer um acordo com o governo? Isso vai virar um vício aqui?”

O deputado João Amin (PP) afirmou que a mudança de posição do autor do PL não alteraria seu voto pela derrubada. “Publicar a agenda é o mínimo de transparência”, disse.

Milton Hobus (PSD) e Luiz Fernando Vampiro (MDB) defenderam a derrubada do veto e afirmaram que manteriam a coerência, com base na manifestação da CCJ, que orientou a rejeição do veto. Bruno Souza (PSB), que geralmente defende a manutenção dos vetos, defendeu a sua derrubada, com base em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). “Até quando quero ser a favor, sou do contra”, brincou.

O líder do governo voltou ao microfone e afirmou que alguns deputados, ao votarem pela derrubada do veto, mesmo com a concordância dos autores dos projetos, estavam votando contra o governador. “Vejo alguns deputados contra a nova política. Parece que têm o prazer de ser contra o governo. É bom que a população de Santa Catarina veja quem é quem”, disse.

A manifestação de Eskudlark recebeu críticas de outros parlamentares. Marcos Vieira (PSDB) afirmou que não se deve fazer patrulhamento de deputado. “A hora que ele vai para o microfone e diz isso é botar deputado na oposição”, afirmou.

As manifestações prosseguiram durante a apreciação do terceiro veto, que tratava do uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais no âmbito da administração estadual. Neste caso, o projeto, do ex-deputado Cesar Valduga, tinha parecer da CCJ pela manutenção do veto. O próprio autor, conforme a deputada Luciane Carminatti (PT), concordava com a manutenção, já que o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) regulamentou a questão por meio de decreto.

“Sou coerente na minha votação e sempre vou ser. Nem o senhor querendo me jogar na oposição, eu vou deliberadamente. Vou ser oposição àquilo que não ache bom. Já dei vários votos a favor do governo neste ano”, disse Milton Hobus, dirigindo-se ao líder do governo. “A carapuça não me serviu. Não jogue todos na mesma vala”, completou Ada de Luca (MDB).

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