
Religiosidade e preservação cultural. Foi enaltecendo esses valores que integrantes da Corte Imperial da Festa do Divino de Imaruí apresentaram-se no hall da Assembleia Legislativa na noite de quarta-feira (4). O evento, que contou com a apresentação de cantorias típicas, foi uma iniciativa do deputado Lício Mauro da Silveira (PP), como forma de promover a festa, que se realizará no município do Sul catarinense, entre os dias 19 e 21 de novembro.
Segundo Lício, a Festa do Divino constitui-se em uma das mais tradicionais manifestações da cultura açoriana em Santa Catarina e necessita de incentivo para que não se perca. “Tive a oportunidade de conhecer os Açores e vi que lá existem festas muito semelhantes. Muito nos alegra quando a festa se aproxima e surgem as cantorias, levando, de casa em casa, fé e espiritualidade”.
Ailton Santos Figueiredo, representante da comissão organizadora da Festa, afirma que o evento é um dos momentos mais esperados pela população de Imaruí, de perfil fortemente religioso. “A Festa do Divino é uma manifestação de fé, entrega e gratidão a Deus, através do Espírito Santo”, frisou.
Imaruí, que neste ano comemora 120 anos de fundação, tem como um dos seus maiores expoentes, Albertina Berkenbrock, que recebeu do Vaticano o título de bem-aventurada e está cotada para ser santificada.
Origem da Festa
A Festa do Divino tem seu início em Portugal, quando, no século XIV, a rainha Isabel celebrou a construção da igreja do Espírito Santo, na cidade de Alenquer. A devoção se difundiu rapidamente e tornou-se uma das mais intensas e populares em Portugal.
Em Santa Catarina, a prática tem início com a chegada dos primeiros açorianos, entre 1748 e 1756. O evento tem como características a fraternidade e igualdade, sendo considerado o festejo religioso em que as comunidades catarinenses têm mais devoção e louvor.
Seus maiores símbolos são a bandeira do Divino e a Coroa. Esta última é formada por prata lavrada e é levada nos cortejos pelo casal festeiro, sob a guarda da corte. A bandeira é confeccionada em tecido vermelho e exibe uma pomba branca bordada ao centro, que representa o Divino Espírito Santo. Na ponta do mastro há uma pomba branca ou prateada, enfeitada de fitas de várias cores que são sempre renovadas e acrescidas, como forma de se pagar uma graça recebida.
Entre os fiéis existe a crença que nos dias de festa quem tocar a bandeira ou beijar a pomba que representa o Divino receberá uma graça.
Rituais
Os festejos são precedidos por novenas e pela folia do Divino, que inicia logo após a Páscoa com coleta de donativos para a festa. É quando os devotos percorrem a comunidade, de casa em casa, com a Bandeira do Divino, acompanhados por um grupo de foliões, músicos que cantam quadrinhas em louvor ao Divino com versos simples e improvisados, e em agradecimento às ofertas recolhidas.
O festejo dura três dias. Na sexta-feira e no sábado à noite uma banda acompanhada de populares busca o casal imperador, o casal festeiro, e a corte imperial para a celebração da missa. Em seguida, acontecem as apresentações folclóricas, musicais, bingos, leilões, folias do Divino, além da venda de comida, produtos e brinquedos em barraquinhas. No domingo, durante a missa solene em louvor, são coroados o imperador e a imperatriz, normalmente adolescentes que representam os reis de Portugal, Dom Diniz e Dona Isabel, acompanhados de um cortejo formado por seis ou oito pares de crianças, os pajens e as damas da corte.
Seus trajes são de época e ricamente confeccionados e bordados. O celebrante, ao final da missa, faz a imposição solene da coroa ao imperador, convidado pelo casal festeiro. Terminada a cerimônia, o imperador e a corte são conduzidos ao altar do Império, o local que representa os antigos impérios. Ainda no domingo é feita a escolha do casal imperador do ano seguinte.
Imaruí
O município está localizado no Sul do Estado, na microrregião de Tubarão, a 22 quilômetros de Imbituba e a 128 quilômetros da Capital, Florianópolis. De acordo com dados do IBGE 2009, a população de Imaruí é de 11.677 habitantes. Fundado em 27 de setembro de 1890, por colonizadores açorianos, o município tem na pesca a sua principal fonte de renda, seguida da agricultura, onde se destacam o cultivo de arroz, a farinha de mandioca e o turismo rural.
Entre as principais datas festivas do município destacam-se a Festa do Senhor Bom Jesus dos Passos, (março e abril), Festa de São João Batista (junho) e Festa do Divino (novembro). (Alexandre José Back/Divulgação Alesc)

