Comunicação

Catarinenses querem transporte coletivo barato, ágil, confortável e disponível


22/11/2011 - 19h53min

Fórum de Indicadores de Mobilidade Urbana

Fórum de Indicadores de Mobilidade Urbana

Pesquisa do Instituto Mapa sobre Indicadores de Mobilidade Urbana, realizada nos dez maiores municípios catarinenses, identificou que 82% utilizariam o transporte coletivo, desde que mais barato, ágil, confortável e com maior oferta de horários. Todavia, à pergunta sobre qual meio de transporte gostariam de usar, 38% dos usuários de ônibus manifestaram desejo pelo automóvel e 56% daqueles que usam o carro responderam que pretendem continuar utilizando-o.

A pesquisa ouviu 4.060 pessoas nas cidades de Joinville, Florianópolis, Blumenau, São José, Criciúma, Itajaí Chapecó, Lages, Jaraguá do Sul e Palhoça, entre os dias 6 e 28 de agosto passado. Os dados foram divulgados na tarde desta terça-feira (22), no I Fórum de Indicadores de Mobilidade Urbana, que aconteceu no auditório Deputada Antonieta de Barros, da Assembleia Legislativa, e que contou coma presença do governador Raimundo Colombo. A iniciativa é do Instituto Mapa, em parceria como Grupo RBS e com o apoio do Poder Legislativo.

Segundo a pesquisa, as pessoas escolhem o ônibus porque é a única opção ou porque é mais barato. Usam o carro porque é mais rápido e cômodo. Caminham e pedalam porque é mais rápido e saudável. E utilizam motocicletas por causa da agilidade e do baixo custo. Questionados sobre quais meios de transportes utilizam frequentemente, 60% dos pesquisados responderam que se deslocam a pé, 54% de ônibus, 54% de automóvel, 24% de bicicleta e 16% de moto. As cidades de Florianópolis, Criciúma, Itajaí, Joinville e Palhoça são as campeãs do uso do automóvel.

De acordo com o Instituto Mapa, 32% dos pesquisados moram próximo do local de trabalho e 18% trabalham na mesma região em que residem. Neste cenário, Itajaí tem a menor distância de deslocamento, enquanto os moradores de São José e Palhoça são os que mais se deslocam para outra cidade, no caso Florianópolis, para trabalhar.

Quanto aos transtornos pessoais sofridos em decorrência do trânsito, 25% responderam que já chegaram atrasados ao trabalho, 6% perderam aulas, 2% deixaram de realizar negócios e 2% perderam ou tiveram de mudar de emprego. Acerca dos congestionamentos, 38% afirmaram que enfrentam mais de um por dia e 14%, um por dia.

Para a Mapa, Palhoça apresentou a pior avaliação do transporte coletivo, com índice de 4,8, enquanto Criciúma obteve a melhor nota, 6,4. Florianópolis recebeu nota 5,5. Criciúma e Joinville foram bem avaliadas no quesito disponibilidade de horários, enquanto as piores infraestruturas foram detectadas em Florianópolis e Palhoça. O menor preço em Lages e Chapecó, e os maiores custos em São José e Palhoça.

Segundo o diretor do Instituto Mapa, José Nazareno Vieira, os dados exigem a elaboração de planos diretores orientados ao transporte coletivo, com tarifas atrativas. Também indicam a necessidade da adoção de restrições ao transporte individual através do automóvel, a implantação de sistemas digitais de controle e de informação de tráfego, além da criação de alternativas seguras para pedestres e ciclistas. Nazareno lamentou o fato de que Florianópolis, apesar dos baixos índices de mobilidade urbana, ainda não realizou uma pesquisa de origem/destino das pessoas. “Não dá para planejar mobilidade urbana sem pesquisa de origem/destino”, argumentou Nazareno.

O deputado Gelson Merisio (PSD), presidente da Assembleia, afirmou que é importante aprofundar o debate e quebrar paradigmas. Merisio elogiou a iniciativa do Instituto Mapa e do Grupo RBS, de debater com a sociedade e contribuir com o governo para encontrar soluções para a mobilidade urbana.

Para o vice-presidente do Grupo RBS em Santa Catarina, Eduardo Smith, o problema da mobilidade não se esgota no trânsito, mas envolve também a acessibilidade, saúde, segurança, urbanismo e gestão das cidades, principalmente aquelas conurbadas. “Não queremos criticar ou apontar falhas, mas junto com as autoridades e a sociedade construir políticas públicas para solucionar o problema da mobilidade”. Segundo Smith, o Fórum será identificado como um marco da mobilidade urbana em Santa Catarina, uma vez que objetivou “gerar conhecimentos através de pesquisa, induzir reflexões e encaminhar soluções”.

O governador Raimundo Colombo elogiou a pesquisa e o debate, “um importante instrumento de apoio”. Colombo defendeu a integração do Estado com as prefeituras, para enfrentar os problemas juntos, com rapidez, sem paralelismos ou picuinhas políticas. Segundo o governador, a crise econômica internacional pode se tornar uma aliada dos investimentos em mobilidade urbana, uma vez que o investimento público se tornou o “vetor mais ágil” para aquecer a economia e continuar no caminho do crescimento.

“O governo federal vai disponibilizar recursos, até a fundo perdido, para combater a crise. Por isso, a gente não pode errar”, afirmou Colombo, adiantando que vai priorizar obras nas vias de maior fluxo e de maior incidência de acidentes. (Vitor Santos)

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