
Florianópolis sedia, esta semana, uma “prova piloto” do primeiro Censo Nacional da População de Rua, que será realizado em todo o país em 2028 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa pretende verificar a eficiência da metodologia proposta para retratar essa população.
O futuro censo irá subsidiar ações públicas de médio e longo prazo, para enfrentar este que é um problema cada vez mais complexo, especialmente nas grandes cidades.
Os pesquisadores do Instituto qualificam a amostragem preliminar como teste de eficiência do formulário aplicado e das dificuldades encontradas pela equipe de recenseadores que está em campo.
O trabalho conta com o apoio de equipes da prefeitura da Capital e de instituições que atuam em suporte à população de rua, e se desenvolve principalmente no período noturno, quando a população de rua tem maior “visibilidade”.
A prova do censo da População em Situação de Rua (PSR) também está sendo aplicada em outras quatro capitais de diferentes regiões.
Florianópolis é a cidade escolhida na região Sul. As demais são Manaus, na região Norte, Salvador, no Nordeste, Belo Horizonte, na região Sudeste, e Goiânia, no Centro-Oeste.
A escolha dessas cidades atende critérios de seleção técnica, por recepcionar moradores de rua vindos de origens diversas.
Santa Catarina é o estado que registrou maior migração populacional, segundo o último censo da população brasileira, realizado entre 2022 e 2023.
Objetivo: Subsidiar ações públicas de médio e longo prazo.
Capitais do Projeto Piloto
Cidades escolhidas tecnicamente por recepcionar intenso fluxo migratório de origens diversas.
Evento testa eficiência da pesquisa
O IBGE é um órgão federal vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) criado em 1934 para subsidiar com informações aos governantes, permitindo melhor entendimento sobre a realidade brasileira e a programação do planejamento de políticas públicas.
Segundo o superintendente regional Roberto Kern Gomes, Florianópolis “foi escolhida por sua peculiaridade insular, características de mobilidade e sazonalidade do fluxo migratório associado ao turismo”.
O evento teste pretende promover um retrato demográfico, “verificar porque as pessoas estão na rua, se têm algum tipo de renda, contato com familiares, entre outros aspectos”.
A prova piloto do Censo Nacional da População em Situação de Rua (PSR) é um teste prático da metodologia, dos questionários e dos sistemas eletrônicos que o IBGE realiza em campo antes da pesquisa nacional oficial.
O gerente de planejamento do censo, Bruno Mandelli, explica que o teste é importante para avaliar a eficiência da pesquisa, que tem custo elevado.
A avaliação abrange o mapeamento territorial, com a identificação dos locais de permanência e circulação desse grupo nas cidades, abordagem e entrevistas, com teste do modelo de contato adaptado à população de rua, e, ainda, a avaliação do funcionamento de questionários eletrônicos e sistemas operacionais de campo.
“O objetivo é conseguir aplicar formulários e fazer entrevistas, ou ao menos identificar as pessoas. A ideia é apurar trajetos de vida, de migração e até aspectos relacionados à saúde”, diz Mandelli.
Lei prevê cadastro estadual
A atenção aos moradores de rua vem mobilizando atenções na Assembleia Legislativa. Recentemente, um projeto de lei, aprovado pela Alesc, deu origem à Lei Estadual nº 19.380/2025, que institui o Cadastro Estadual de Pessoas em Situação de Rua em Santa Catarina.
A lei estabelece como objetivos do cadastro o subsídio à formulação de políticas públicas, bem como a execução de ações voltadas ao monitoramento desta população.
Entre as ações, a proposta é apoiar o atendimento, a reinserção social, o encaminhamento e o amparo dessas pessoas, bem como apurar o perfil social, histórico, condições de saúde e localização em que se encontram.
Pela proposta, a operação do sistema fica a cargo da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), com um banco de dados que, sempre que possível, deve ser integrado ao Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal.
A lei também prevê que as informações coletadas respeitam as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Institui o Cadastro Estadual de Pessoas em Situação de Rua em SC. Operação a cargo da SSP, integrado ao CadÚnico e respeitando a LGPD.
Audiências públicas da Alesc
A Comissão dos Direitos Humanos também se dedica ao estudo sobre a população de rua e realizou audiências públicas sobre o tema desde 2021.
Segundo levantamentos, entre 2021 e 2023, essa população cresceu 76% no Estado, sendo estimada em mais de 10 mil pessoas.
Resumo dos dados e ações abordados no projeto piloto sediado em Florianópolis.
Design: Milene Conci / Agência ALESC
ALESC EXPLICA
É uma etapa de teste realizada antes da pesquisa nacional. O trabalho permite avaliar a metodologia, os questionários, os sistemas eletrônicos e as dificuldades encontradas pelas equipes durante a coleta de informações.
A pesquisa nacional está prevista para 2028. Antes disso, o IBGE realiza etapas de teste e validação dos procedimentos que serão utilizados no levantamento.
A reportagem informa que a Capital foi escolhida por características como a condição insular, a mobilidade e a sazonalidade do fluxo migratório associado ao turismo. Florianópolis representa a região Sul nesta etapa.
A Lei Estadual nº 19.380/2025 instituiu o Cadastro Estadual de Pessoas em Situação de Rua. Entre seus objetivos estão subsidiar políticas públicas e apoiar ações de atendimento, acolhimento, encaminhamento e reinserção social.
Painel do Censo Nacional da População em Situação de Rua - 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua
Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc
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