
“Um recomeço para o atendimento socioeducativo no estado”. Foi com essas palavras que o governador Raimundo Colombo acompanhou o início da demolição do Centro Educacional São Lucas, ocorrido na manhã desta segunda-feira (06), em São José. Um das principais unidades de abrigamento de jovens infratores em Santa Catarina, o local estava interditado desde dezembro devido às condições insalubres e denúncias de maus-tratos. No local será erguida uma nova unidade de internação, com capacidade para 70 vagas definitivas e 20 provisórias.
Acompanhado do vice-governador Pinho Moreira e da secretária da Justiça e Cidadania, Ada Faraco de Luca, Colombo afirmou que a derrubada do São Lucas carrega a simbologia da mudança para todo o sistema socioeducativo catarinense. “Esse ato marca novos conceitos de recuperação, completamente diferentes e a perspectiva de grandes trabalhos em todo o setor da Justiça. Não adianta aprisionar sem dar oportunidades de inserção. Essa é a grande mudança e a nossa grande preocupação”, frisou.
Na mesma linha, Pinho Moreira acrescentou que a solução para a segurança pública passa necessariamente pela geração de oportunidades para os albergados. “Só vamos diminuir a violência se investirmos maciçamente para dar oportunidades de inserção. O São Lucas marca o início desta atuação e vamos colher os frutos logo”, anunciou.
Ada de Luca, por sua vez, saudou a união do poderes estaduais na reformulação das políticas socioeducacionais. “Este grupo está muito unido e, juntos, vamos escrever uma nova página não só na vida dos jovens infratores, mas de todo o sistema correcional catarinense” A secretária afirmou ainda que deve participar nessa semana de audiências em Brasília para garantir a contrapartida federal no projeto, orçado em R$ 12 milhões. Previsto para começar em 60 dias, o início do novo centro de internação depende ainda da aprovação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A derrubada das primeiras paredes do São Lucas levou às lágrimas a promotora de justiça da Vara de Infância e Juventude do município de São José, Leda Maria Hermann. “Estou chorando de felicidade por acompanhar o fim destes prédios que, todos sabíamos, era um complexo prisional, um verdadeiro Carandiru, em que agora ninguém ficará mais detido”. Leda, que trabalhou na unidade de 2007 a 2010, mostrou-se esperançosa com as mudanças anunciadas. “O som da demolição talvez anuncie muitas melhorias”, disse. (Alexandre Back)

