
A morte de 19 botos pescadores em Laguna desde 2018 e a preocupação com a preservação dos 54 animais identificados que habitam a região serão debatidos em uma audiência pública, em Laguna, promovida pela Comissão de Pesca e Aquicultura ainda neste primeiro semestre, em data e local ainda a serem definidos no mês de abril. O engenheiro de pesca, Evandro dos Passos Faria, um dos fundadores do movimento Boto Vivo, apresentou nesta terça-feira (26) uma palestra sobre a situação da espécie.
O deputado Felipe Estevão (PSL), presidente da comissão, autor da proposta da audiência pública, sugeriu que sejam convidados especialistas da área, da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e universidades para discutir a adoção de uma política pública para preservar os animais símbolos de Laguna. “Os botos pescadores estão presentes em duas cidades no mundo, uma é Laguna, porém estes animais estão em extinção, ficam malhados (presos nas malhas) nas redes e não conseguem subir para respirar e morrem, vamos criar uma força tarefa em defesa do boto pescador.”
O engenheiro Evandro dos Passos Faria falou que a pesca com auxílio dos botos pode ser apreciada em Laguna e que essa tradição deve ser preservada visando à manutenção da pesca e a proteção aos animais. Dos 19 animais mortos, desde janeiro de 2018, foram levantados três problemas: a pesca feita por pescadores de fora da região com redes que prendem os animais nas malhas, a poluição e a diminuição do habitat natural dos botos na região.
Ele sugeriu ações para a criação de campanhas de conscientização para a não realização de práticas que ponham risco à vida dos botos; repressão desses atos prejudiciais por meio de aumento de fiscalização pelos órgãos competentes com a disponibilidade de recursos e equipamentos para esse fim; e a mobilizações para a despoluição do complexo lagunar.
Faria explicou que a população de botos na região de Laguna, calculada em 54 sobreviventes, caracterizada por ser extremamente residente, possui um comportamento peculiar, a pesca cooperativa com os pescadores artesanais da região, onde parcela da população de botos, 23 a 27 indivíduos, auxiliam os pescadores encurralando o cardume de peixes e indicando por meio de uma sequência de sinais o momento exato de jogar a rede, aumentando as chances de sucesso da atividade.
O movimento Boto Vivo foi criado em janeiro deste ano e já reúne pelo menos dez ONGs que atuam na região e a ideia são conscientizar os 4.200 pescadores cadastrados em Laguna. O movimento sugere que seja regulamentada a pesca do bagre na região, promover um observatório social, por meio de uma Parceria Público-Privados (PPP), conscientização da importância da preservação dos botos e que ocorra uma maior fiscalização por órgãos ambientais.
Dr. Vicente Caropreso (PSDB), que já residiu na região, lembrou que a relação de respeito, quase familiar dos pescadores de Laguna com os botos, é algo que precisa ser preservado, tanto para o turismo como pela preservação do meio ambiente. Volnei Weber (MDB) sugeriu maior rigor nas punições a quem polui o meio ambiente como forma de ajudar na preservação dos animais.

