Comunicação

Comissão debaterá ICMS Ecológico por meio de audiências públicas


04/12/2012 - 16h52min

Audiência Pública – ICMS Ecológico

Audiência Pública – ICMS Ecológico

Uma comissão, formada por representantes de entidades ambientais, lideranças  municipais e parlamentares, será constituída para planejar a melhor forma de implantar no estado o chamado ICMS Ecológico, compensação financeira repassada aos municípios que desenvolvem ações de preservação e recuperação ambiental. As tratativas para a nova legislação devem ser feitas no próximo ano, na forma de uma série de audiências públicas que devem percorrer o estado.
Os encaminhamentos são resultado de audiência pública realizada no Palácio Barriga Verde na manhã desta terça-feira (4), para debater o Projeto de Lei 221/11, de autoria da bancada do PT que trata da questão.
Atualmente, 16 estados já possuem legislações regulamentadas sobre o tema, possibilitando que 72% dos municípios brasileiros possam captar recursos, estaduais federais e até mesmo internacionais, para fomento e apoio a programas de cunho ambiental. De acordo com o proponente do debate, deputado Dirceu Dresch (PT), em Santa Catarina a questão vem sendo debatida há mais de uma década e agora volta a ganhar destaque por meio do projeto de lei que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob a relatoria do deputado José Nei Ascari (PSD). “Santa Catarina tem um grande potencial ambiental, com ações de conservação muito fortes e não pode perder a oportunidade de avançar neste tema”.
Em 2013 o parlamentar irá coordenar uma série de reuniões pelo estado visando o aperfeiçoamento do projeto. “Não estamos tratando a questão como fechada e pretendemos levá-la aos municípios, chamando a sociedade para o debate. Outras propostas estão sendo anexadas ao texto original e a intenção é chegar ao final de 2013 com bom projeto, que pode, inclusive, ser apresentado pelo Executivo estadual”, completou Dresch.  

A experiência do Paraná
O Paraná, de forma pioneira, implantou o ICMS Ecológico ainda em 1991, experiência que foi relatada pelo engenheiro agrônomo Gerson Antônio Jacobs. Coordenador do Instituto Ambiental do Paraná (IA), ele afirmou que a iniciativa surgiu da reivindicação dos municípios que tinham restrição de uso de solo devido à proteção de seus recursos naturais.
No início, disse, o repasse de recursos tinha por base a área a ser preservada, critério a que recentemente se somou a qualidade dos serviços ambientais prestados pelas prefeituras. “São consideradas áreas de conservação, federais, estaduais e municipais, reservas particulares, terras indígenas, faxinais, bem como os entorno de áreas de preservação permanente”, disse.  A legislação, explicou Gerson, também permite que municípios firmem convênios com entidades privadas ou sem fins lucrativos para a manutenção destas áreas.
O percentual repassado é 5% do total arrecadado pelo estado em ICMS, que em 2011 equivaleu a R$ 160 milhões e neste ano pode chegar a R$ 179 milhões. Metade da quantia é destinada à preservação de mananciais de abastecimento e a outra para manter a biodiversidade. "Aproximadamente 250 municípios são beneficiados. Para alguns deles a soma é muito significativa, chegando a equivaler 40% do que arrecadam".

O Projeto de Lei 221/11
De acordo com a proposta da bancada do PT, municípios que mantém ou que pretendem criar unidades de conservação, aterros sanitários e políticas de proteção dos mananciais de águas receberão mais recursos financeiros por estes serviços. Em Santa Catarina, tomando como parâmetro o exercício de 2010, dos 25% de recursos constitucionais que o Estado repassou aos municípios, 85% foram de acordo com a movimentação econômica e 15% em cota fixa.
Pela proposta, ao invés dos municípios receberem 15% de recursos fixos, esse percentual cairia, de forma gradativa, para 13%, sobrando 2% para serem aplicados nos municípios que já têm ou para os que criarem políticas ambientais, estabelecidas no projeto.
A iniciativa foi construída com base em três critérios: a primeira para proteger unidades de preservação já constituídas em municípios que tem limitações que impedem seu desenvolvimento, como Santo Amaro da Imperatriz, que possui área 318km2, sendo 70% locais de preservação permanente. A segunda, voltada às cidades que possuam sistemas de tratamento ou de destinação final de resíduos sólidos como unidades de compostagem e aterros sanitários e a terceira para o manejo sustentável de recursos naturais, como corredores ecológicos, recuperação de áreas degradadas, mananciais de água, redução de poluição atmosférica, entre outras.
A entidade que concentraria estas as decisões seria a Fundação do Meio Ambiente (Fatma), cabendo aos municípios a obrigação de criar seus próprios conselhos e fundos municipais de meio ambiente e um órgão administrativo executor da política ambiental em âmbito local.

Dúvidas sobre a divisão dos recursos
Representando a Secretaria da Fazenda, Carlos Roberto Molim,  afirmou que o governo do Estado tem interesse em aprimorar sua política ambiental, mas vê com reservas a fixação de percentuais para o setor. Cada vez mais, disse, avança o processo de vinculação das receitas do Estado, o que tem "engessado" a administração pública.
Ele se mostrou contrário ainda à alteração da parte fixa do ICMS que é repassada aos municípios. "Talvez fosse mais interessante avaliar a alteração não na parte fixa, e sim da variável, o que beneficiaria mais os municípios de menor movimentação econômica", disse.
Também reticente com relação ao projeto, o representante da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Edinando Brustolin, ressaltou que a proposta dificilmente terá o consenso das 295 cidades catarinenses, tendo em vista que altera a distribuição de recursos já considerados insuficientes. Ele sugeriu que a questão seja tratada por meio do fortalecimento dos órgãos ambientais do governo do Estado. "No mérito concordamos, mas alterar a divisão de recursos do estado sem uma participação da União pode não apresentar os resultados esperados, criando ainda uma falsa expectativa". (Alexandre Back)

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias