
Durante a sessão ordinária desta quarta-feira (26), em atendimento ao requerimento do deputado Dionei Walter da Silva (PT), a presidente da Associação dos Desabrigados e Atingidos da Região dos Baús (Adarb), Tatiana Reichert, ocupou a tribuna para divulgar os problemas que a sociedade local ainda vive, nove meses após a tragédia ocorrida nos meses de novembro e dezembro de 2008. Entre as ações prometidas que ainda não foram cumpridas estão o desassoreamento dos ribeirões que cortam o complexo, a reestruturação das estradas e a construção de casas para as famílias desabrigadas.
Esta não foi a primeira vez que Tatiana veio à Assembleia pedir ajuda dos parlamentares para o Complexo do Baú, situado no município de Ilhota, região do Vale do Itajaí. De acordo com ela, muitas coisas ainda não saíram do papel, principalmente a dragagem dos rios, prometida para a semana que vem. “Venho aqui com a finalidade de defender todas as famílias e vítimas dos deslizamentos do ano passado. Não podemos nos calar diante o que vem acontecendo e da previsão de grande quantidade de chuvas para o mês de setembro. Se realmente acontecer, a tragédia pode ser ainda pior, porque os rios estão assoreados, não há rota de fuga e nem abrigos”, denunciou.
Outra reivindicação apresentada pela presidente é com relação à preparação do terreno comprado para a construção de casas para os desabrigados. “A preparação está sendo feita a passos lentos há nove meses e ainda não há casas. Provavelmente elas serão construídas no ano que vem, época de eleição. Não queiram fazer campanha em cima da nossa desgraça. Já sofremos muito”, disparou.
As estradas também precisam de melhorias. Já foram abertas, mas não oferecem segurança para o tráfego. Entretanto, a agricultura continua sendo a área mais prejudicada. Tatiana comentou que o governo federal enviou quase R$ 1,5 milhão que foram gastos para a aquisição de dois caminhões e um trator. “Foi um tapa na cara dos agricultores. Convido vocês para irem nos visitar, mas aviso para irem de bota, porque a agricultura está atolada”, reclamou. Conforme sua manifestação, não há fiscalização na forma como os recursos são gastos.
O acordo com a Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina (Cohab) também é motivo de preocupação. Mais de 110 casas de madeira deverão ser entregues pela companhia, mas não oferecem condições de instalação imediata, pois não possuem nem torneiras. “A Cohab entrega casas no valor de R$ 14 mil sem condições de moradia e 60 pessoas foram enganadas porque, quando se inscreveram, optaram por material de construção e agora não têm esse direito”, relatou.
Ao finalizar seu pronunciamento, Tatiana fez um desabafo. “Continuamos necessitados e estamos diante de uma nova tragédia. Espero uma cobrança de vocês, deputados estaduais, para uma dragagem imediata dos ribeirões do complexo. Mas uma dragagem bem feita, com a retirada do lixo, para que na próxima chuva não volte a prejudicar o rio. Caso contrário, procuraremos o Ministério Público”, avisou.
As vítimas da catástrofe receberam manifestações favoráveis de diversos parlamentares, que prometeram a defesa de suas reivindicações e fiscalização dos atos do governo estadual. “O papel do deputado é fiscalizar para que os recursos cheguem ao seu destino”, disse o deputado Dionei, enquanto o deputado Giancarlo Tomelin (PSDB) ressaltou a importância de não politizar o fato e fazer dele um movimento constante . (Denise Arruda Bortolon/Divulgação Alesc)

