Comunicação

CPI da Ponte Hercílio Luz constata fragilidade dos editais de licitação


07/08/2019 - 22h41min

Engenheiro civil Roberto Zattar, presidente da comissão da licitação que resultou na contratação do consórcio Florianópolis

Engenheiro civil Roberto Zattar, presidente da comissão da licitação que resultou na contratação do consórcio Florianópolis

FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

A fragilidade na elaboração do edital de licitação e análise das propostas das empresas vencedoras para obras de manutenção e restauração da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, ficaram evidentes com os depoimentos do presidente e do membro da licitação que resultou na contratação do Consórcio Florianópolis Monumento, integrado pela Construtora Espaço Aberto e CSA Group, Roberto Zattar e Laércio Martins, respectivamente, nesta quarta-feira (7), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que investiga possíveis irregularidades nas obras da ponte, avaliou o relator da CPI, deputado Bruno Souza (sem partido). “Isso demonstra que estamos no caminho certo. Vamos ouvir mais pessoas e analisar os documentos, mas o que apareceu até agora nos preocupa.”

Segundo Bruno, os dois depoimentos dos engenheiros que trabalhavam no Deinfra registrados nesta quarta-feira foram frágeis e deve preocupar a população, já que como responsáveis pela comissão de análise documental do processo licitatório não se lembravam de quase nada e não sabiam explicar questões fundamentais de como o consórcio foi vencedor e impugnaram as contestações de falta de documentação por parte das empresas participantes. O deputado enfatizou que além da fase de depoimentos continuar na próxima semana, um trabalho silencioso está sendo feito, que é analisar os documentos de todo processo. Até o momento, a comissão já ouviu 29 pessoas e está analisando mais de 17 mil páginas, 27 contratos e 30 aditivos.

O engenheiro civil Roberto Zattar, que foi presidente da comissão da licitação que resultou na contratação do consórcio Florianópolis, um contrato de mais de R$ 167 milhões, e que depois abandonou a obra por não ter capacidade técnica para sua realização, por vários momentos alegou que simplesmente cumpriu com que previa o edital e que foram seguidos todos os trâmites legais.

Sobre o falta de documentação que comprovava a exigência de experiência na execução da obra, Zattar afirmou que isso era impossível e que o documento deve estar no processo. “Não me lembro. Acho que ela era habilitada”, defendeu.

Em relação à apresentação de documentação que mostrava que as empresas do consórcio se autodeclaravam com capacidade para realizar a obra, o engenheiro afirmou que isso não poderia ter ocorrido. “Se isso ocorreu, é porque ela tinha a documentação.” Zattar e o engenheiro Laércio Martins, membro da comissão da licitação, também não souberam explicar o motivo do edital prever que 30% da nota técnica para escolha técnica do consórcio era definido pelo histórico da ponte, que de acordo com o deputado Bruno Souza, foi montado em uma simples pesquisa na Internet.  “Muitas das notas para aprovação do consórcio foram dadas por uma análise subjetiva. Hoje não é mais assim”, assegurou Zattar.

Os dois engenheiros não apresentaram uma explicação para o fato de o consórcio ter assinado o contrato com o governo estadual no dia 27 de novembro de 2008 e somente no dia 8 de abril de 2009, mais de 130 dias depois, registrarem na Junta Comercial de Santa Catarina (Jucesc) a formação do consórcio, o que é irregular pela Lei de Licitações. “Não me lembro. Não tinha documentação, teria que ser simplesmente impugnada”, avaliou Zattar. Para a questão da ata das reuniões da comissão, em sua maioria, apresentar apenas a assinatura de quatro dos onze membros, Laércio Martins afirmou que não sabia explicar os motivos. “Não tenho detalhes. Não tenho condições de responder essas questões”, reforçou em vários momentos.

A CPI da Ponte volta a se reunir na próxima quarta-feira (14), com a presença do socio-administrador da Construtora Espaço Aberto, Paulo Ney Almira, e outros envolvidos.

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