Comunicação

Crianças e jovens vivem em abrigos à espera da adoção


03/06/2011 - 17h30min

Campanha sobre Adoção – Laços de Amor.

Campanha sobre Adoção – Laços de Amor.

A rotina na Casa de Acolhimento Darcy Vitória de Brito, em Florianópolis, lembra o dia-a-dia de uma grande família. Crianças de todas as idades, jovens estudantes, alguns voltando do trabalho, brincadeiras em todos os cantos, risadas e muita agitação. Mas com um olhar mais cuidadoso percebe-se que, por trás da aparente normalidade, os acolhidos carregam histórias tristes, de todos os tipos de violência, que culminaram no abandono. Hoje eles vivem uma situação transitória, mas sem data para acabar.
Segundo a assistente social Adriana Kincheski, a Casa de Acolhimento funciona há um ano e neste período foi realizada apenas uma adoção. Algumas crianças têm direito a uma segunda chance e se preparam para tentar novamente o convívio em família, outras esperam a destituição do poder familiar para estarem oficialmente disponíveis à adoção. Prazo que às vezes se estende por tempo demais, afastando-as das estatísticas favoráveis, como ter entre zero a três anos, idade preferida por 98% dos candidatos a pais e mães adotivos.
A campanha Adoção – Laços de Amor – lançada dia 23 de maio pela Assembleia Legislativa, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Tribunal de Justiça e Corregedoria Geral de Justiça – está mobilizando a população para reduzir o número de abrigados em instituições do estado. O Poder Judiciário está engajado para garantir maior agilidade nos processos de adoção. E até dezembro, os catarinenses irão conhecer a realidade dos abrigados, os casos de adoção de crianças maiores, de adolescentes e de grupos de irmãos. A intenção é direcionar o olhar dos futuros pais e mães para as crianças aptas à adoção, a maioria com mais de oito anos.
A menina C. tem oito anos e é uma dessas 22 histórias de desencontros da Casa de Acolhimento Darcy Vitória de Brito. Ela foi afastada da família há dois anos devido a agressões e negligência. Seus irmãos são maiores de idade e não costumam visitá-la. Do seu curto passado, ela guarda mágoas, mas revela, chorando, que tem saudade do convívio familiar. A menina, que já foi adotada e devolvida ao Acolhimento, também perdeu as esperanças de voltar para os pais biológicos. A pequena não sabe explicar porque foi rejeitada, mas acredita que ainda terá uma nova oportunidade de conseguir um lar e espera por outros interessados. “Daí vou esquecer o meu passado”, diz.
Já com 16 anos, I. tem uma história parecida com a sua colega mais nova, mas não alimenta mais as mesmas esperanças. Ela e a irmã de 15 anos também foram adotadas e depois devolvidas ao Acolhimento. O tempo passou e há muito não surgem mais interessados. Elas sabem que caso não sejam adotadas até os 18 anos de idade, terão de deixar a proteção do abrigo e assumir precocemente a responsabilidade por seu sustento, mesmo sem ter um adulto que as oriente nas situações pessoais e profissionais. Elas garantem, no entanto, que nunca abandonarão uma à outra. (Rossana Espezin)

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