
Os deputados fizeram um apelo aos contribuintes catarinenses para que destinem 6% do Imposto de Renda a pagar para o Fundo da Infância e Adolescência (FIA). “Dezembro é o mês da solidariedade e a Receita Federal permite uma renúncia de 6% do imposto que o cidadão é obrigado a pagar, você pode destinar esse dinheiro para o FIA e dezembro é o último mês para fazer isso”, informou Serafim Venzon (PSDB) durante a sessão desta terça-feira (6) da Assembleia Legislativa.
O deputado enfatizou que todos podem contribuir. “É uma renúncia fiscal, o governo federal se aproveita do silêncio, porque se esse povo realmente doar 100% daquilo que pode destinar vai ficar muito dinheiro aqui que antes ia para a União. Só depende da vontade de cada um”, frisou o representante de Brusque, que ensinou como fazer. “Você vai na agência, doa, guarda o papelzinho e na hora de declarar o IR informa que aquele valor você já pagou”, explicou Venzon, esclarecendo que a partir de janeiro o contribuinte poderá destinar apenas 3% do imposto devido ao FIA.
Mário Marcondes (PSDB) comparou a doação voluntária ao FIA às atividades das pessoas que dedicam horas do seu tempo ao trabalho voluntário. “Se o poder público soubesse facilitar a vida do voluntariado, vários segmentos estariam rendendo muito mais, em muitos momentos o estado atravanca”, avaliou Marcondes. Para Doutor Vicente Caropreso (PSDB), a hora é de ajudar quem precisa.
Tragédia da Chapecoense
A tragédia que vitimou 71 pessoas entre jogadores, comissão técnica, diretoria, ex-dirigentes da Chapecoense, além de 21 jornalistas, foi lembrada no plenário. “A Chapecoense não fazia parte da elite, foi subindo os degraus. Sou conselheira e acompanho isso, a diretoria é séria, correta, transparente e dedicada, são empresários que às 16 horas saiam das empresas e iam para o estádio acompanhar cada detalhe, muitos deles não ganharam um centavo por isso, foi muita dor”, afirmou Luciane Carminatti (PT).
Para a representante de Chapecó, a hora é de reconstruir. “Estamos unidos para reconstruir o que nós perdemos, porque a Chape tem de continuar grande e representando a força do Oeste e de um povo que não se deixa abater. Também vamos precisar dar muita força para as famílias das vítimas”, declarou a deputada.
Dirceu Dresch (PT) reprovou a ganância da empresa LaMia. “É lamentável colocar tantas vidas em risco”, criticou Dresch. Maurício Eskudlark (PR) lembrou que a Chape parecia um time de uma comunidade pequena. “Havia uma perfeita harmonia”, argumentou Eskudlark. Para o parlamentar, o time mudou o panorama do futebol oestino. “Antes a criançada era ou Grêmio ou Internacional, mas hoje você ouve ‘nós somos Chape’”, contou o parlamentar.
Neodi Saretta (PT) lamentou o acidente e reafirmou a solidariedade e os sentimentos de pesar de deputados e servidores da Assembleia Legislativa. Manoel Mota (PMDB) tirou o blazer na tribuna e vestiu a camisa da Chapecoense antes de falar. “Era um time alegre e competitivo”, destacou Mota, que, comovido, leu os nomes dos mortos no acidente, inclusive dos jornalistas.
Kennedy Nunes (PSD) também manifestou solidariedade ao time e à cidade de Chapecó e ressaltou a morte dos 21 colegas jornalistas. O representante de Joinville, que é radialista, descreveu a satisfação com que um profissional da imprensa recebe a notícia de que participará da cobertura de uma final de campeonato. “E era uma final internacional, na Colômbia”, justificou Kennedy.
Leonel Pavan (PSDB) lamentou os dias de luto e dor vividos pelos oestinos. “Tenho muito respeito para com o Oeste e Chapecó, é uma cidade que cresce em uma média mais alta que as cidades brasileiras, tem uma economia diversificada, competitiva e liderança empresarial”, anotou Pavan, que não esqueceu a palavra do bispo local durante o velório coletivo, que destacou a coexistência de dois sentimentos aparentemente contraditórios: a profunda tristeza pela trágica perda e a valorização do ser humano, da fraternidade entre os povos.
Para Cesar Valduga (PCdoB), a Chapecoense era o Brasil na final da Copa Sul Americana. “O momento é oportuno para fazermos uma homenagem à Chapecoense, é um grande time, bem administrado pela sua diretoria e conselho, uma grande família”, afirmou Valduga.
Bombeiros voluntários
Doutor Vicente Caropreso reafirmou na tribuna a disposição de defender os bombeiros voluntários. “Tenho feito de tudo para contribuir com os bombeiros voluntários”, revelou Caropreso, que defendeu o conteúdo da PEC 011/2011, que pretendia estimular e acolher a atuação de entidades privadas na prevenção e contenção de incêndios. “O corpo de bombeiros de Jaraguá do Sul é exemplo de mobilização voluntária, são 50 anos de atividades com total e irrestrito apoio da comunidade”, registrou o deputado.
Unale na China
Kennedy Nunes falou na tribuna sobre viagem que fez à China, na condição de membro da Unale, e defendeu os convênios celebrados entre cidades e estados irmãos. “A partir daí várias ações podem ser feitas”, explicou Kennedy, que citou o caso de Forquilhinha, no Sul do estado. “Eles estão em contato com a China para acordos com cidades irmãs”, indicou.
Valmir Comin (PP) concordou com Kennedy e informou que Forquilhinha oferece aos investidores nacionais e estrangeiros o menor custo de energia elétrica do país e uma mão-de-obra qualificada.
Violência contra a mulher
Cesar Valduga argumentou que não é preciso ser mulher para ser contra a violência e as desigualdades de gênero, principalmente no mercado de trabalho. Segundo constatou o IBGE, as brasileiras trabalham cinco horas a mais que os homens e ganham 76% do valor pago ao sexo masculino.
O deputado listou vários projetos de leis de sua autoria direcionados ao combate da violência e discriminação de gênero. “Gravar no calendário a semana estadual da vigília feminista, criar o programa educativo da Lei Maria da Penha, reservar 5% de vagas para mulheres em licitações e contratos de obras públicas e declarar 15 de janeiro como dia estadual das doulas”, enumerou Valduga.

