
O trabalho realizado pela Maçonaria ao longo da história de Santa Catarina foi celebrado em sessão especial realizada na noite de segunda-feira (29) no Plenário Osni Regis, da Assembleia Legislativa. A homenagem foi uma iniciativa do deputado Jorginho Mello (PSDB), também autor da Lei nº 13.461/05, que institui o dia 20 de agosto como o Dia do Maçom. Agraciados com placas comemorativas, os grão-mestres das três correntes maçônicas presentes no estado afirmaram que a instituição, que já lutou pela independência do país e pela abolição da escravatura, atualmente tem no combate à corrupção um dos seus maiores objetivos.
De acordo com a lei, o dia 20 de agosto, que também foi determinado nacionalmente como Dia do Maçom, foi escolhido em homenagem à data em que a independência do Brasil fora “proclamada” por Gonçalves Ledo, em reunião da Loja Maçônica Arte e Comércio, na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1822. Em Santa Catarina, a presença da ordem está prestes a completar 200 anos. Já no início do século XX, o estado contava com a presença de uma delegacia do Grande Oriente do Brasil, mas a sua instalação oficial só veio a ser realizada em 12 de abril de 1950.
Para Jorginho Mello, a solenidade é um reconhecimento do Parlamento a uma instituição que marcou a história catarinense e que sempre teve como princípio básico promover ações em prol do bem-estar da humanidade. “Ela esteve presente em grandes eventos que fizeram e fazem a história de Santa Catarina, através de irmãos, que, não raramente, deram a vida na luta contra a opressão e a desigualdade“. Ele acrescentou que a Maçonaria deve agora direcionar seu foco ao combate da corrupção, que entende ser o principal mal da sociedade brasileira atual. “A instituição deve encampar essa batalha, lutando por dias melhores, para poder contar com a gratidão das gerações futuras“, disse.
O secretário estadual de Coordenação e Articulação, Erivaldo Nunes Caetano Júnior, lembrou a luta dos maçons para fortalecer os valores democráticos, tornando famoso o adágio de que todo o poder parte do povo e em seu nome deve ser exercido. “A república nasceu sob o sonho e o ideal da Maçonaria, com sua luta por uma sociedade mais livre e independente. E a instituição tem força, poder e potencial para continuar escrevendo as páginas da história“, frisou.
Para o grão-mestre do Grande Oriente de Santa Catarina, Rubens Ricardo Franz, ações em prol das causas sociais são tradicionais para os maçons, ainda que estes não se empenhem em divulgá-las, como as lutas pela manutenção do estado de direito, da liberdade de imprensa ou da erradicação das dívidas entre as nações. Nesse sentido, desafios como o combate à corrupção ou mesmo a reforma tributária ou da legislação ambiental não são uma novidade para a entidade, que colocou a reformulação da legislação ambiental brasileira também em seu rol de lutas, segundo o estipulado na 85a reunião da do Grande Oriente do Brasil, ocorrida recentemente em Macapá (AP). “Renovamos e reforçamos nossa disposição de buscar reformas para o Brasil, sempre dentro dos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, que norteiam nossas ações”, disse.
Na condição de representante da Grande Loja de Santa Catarina, João Eduardo Noal Barbigier, acrescentou que a valorização da democracia e o combate à corrupção estão inseridos nos valores e compromissos históricos dos pedreiros-livres, que lutam pela emancipação da humanidade. “A corrupção é um dos grandes males que nos afligem e só cresce na medida em que a impunidade a alimenta“. Para Barbigier, é necessário que a sociedade deixe claro que o crime não vale a pena e que se faz necessária uma cruzada contra a impunidade. “As crianças têm que ser orientadas desde cedo e, nós maçons, temos que ser o exemplo. Esse é o primeiro passo”, ensina. Ele revela que campanhas como o “Ficha Limpa” e “O que você tem a ver com a corrupção”, movida pelo Ministério Público catarinense, teve forte apoio das entidades maçônicas, que estão buscando se envolver cada vez mais na vida pública do país com o objetivo de revitalizar a política.
Citando maçons que tiveram destacada atuação nos rumos da sociedade catarinense, como Jerônimo Coelho, Antônio de Lara Ribas, Lauro Müller e Feliciano Nunes Pires, o grão-mestre do Grande Oriente do Brasil de Santa Catarina, Ib Silva, afirmou que a entidade não deve deter-se no seu passado de conquistas sociais, mas seguir avançando. “Agora precisamos fortalecer essa estrada, pois outros virão e serão gratos pelos bons trabalhos que pudermos realizar”, completou.
Homenageados pela Assembleia Legislativa
Grão-mestre da Grande Loja de Santa Catarina, José Domingos Rodrigues. No ato representado por José Eduardo Noal Berbigier
Grão-mestre do Grande Oriente de Santa Catarina, Rubens Ricardo Franz
Grão-mestre do Grande Oriente do Brasil de Santa Catarina, Ib Silva, que foi acompanhado por Rui Olimpio de Oliveira, o mais antigo maçom catarinense, filiado desde 16 de agosto de 1947
Homenageados pelas entidades maçônicas
Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Deputado Jorginho Mello
(Alexandre José Back)

