
As professoras Joici Lilian Rodrigues e Karini Regina Homem se conhecem há cinco anos. Superaram vários desafios para formalizar a união civil em cartório, em janeiro passado. E se transformaram numa família ao adotar, há pouco mais de um ano, duas meninas: Ingrid, 9 anos, e Amanda, 5.
O casal é um exemplo de como o desejo de ser mãe supera barreiras. As duas optaram pela adoção tardia. A vida corrida as impediria de abdicar do trabalho para cuidar de um recém-nascido.
Divorciada, Joici sempre quis ser mãe. Entrou na fila da adoção e já estava quase desistindo, devido à demora. Karini era mais reticente. “Eu tinha o desejo de adotar, mas tinha receio”, comenta.
As duas passaram a fazer trabalhos voluntários na Casa Lar do bairro do Abraão, em Florianópolis. Foi quando as trajetórias de mães e filhas se cruzaram. Na Páscoa de 2010, Joici e Karini foram até a Casa. Lá, encontrariam duas crianças, das quais eram madrinhas, para passar o feriado.
Ao chegarem, notaram outras que não tinham arranjado padrinhos. Tristes, elas olhavam pela janela os coleguinhas que iam passar aquele dia especial fora do abrigo. “Quando vimos aquilo, decidimos levar todas as crianças. Foram umas 12 passar a Páscoa em casa”, lembra Karini.
Entre elas, estava Ingrid. E foi um susto que aproximou o casal da futura filha. “A Ingrid quase se afogou na piscina e eu fui socorrê-la. Ela ficou muito nervosa e começou a chorar. A Joici veio e a acalmou. A partir daí, a cada dia fomos nos aproximando mais”, conta Karini.
Alguns meses depois desse primeiro contato, Ingrid comentou com as futuras mães que tinha uma irmã que, por causa da diferença de idade, morava em outro abrigo. Joici e Karini decidiram então que adotariam Ingrid e a irmã mais nova, Amanda.
O trâmite do processo foi rápido. Após seis meses, elas já tinham a guarda provisória das meninas. Agora, aguardam apenas a assinatura do juiz para a conclusão do processo de adoção. Aí, finalmente as pequenas poderão ter uma nova certidão de nascimento e novos documentos com os nomes das mães.
“Adotar não é um gesto de caridade. É sim algo gratificante. É gratificante ser chamada de mãe”, resume Joici.
Respeito
O fato de formarem um casal homoafetivo aparentemente não prejudicou o processo de adoção. “Fui aconselhada a fazer a adoção na condição de divorciada e, posteriormente, formalizar a união civil no cartório”, lembra Joici.
Da família, dos amigos e dos vizinhos, só apoio. O que poderia chocar muita gente é encarado com naturalidade pelo casal. “Não é diferente. Para mim, nunca foi diferente. Minha família também não vê isso como algo diferente”, afirma Karini. As meninas também assimilaram bem o fato de terem duas mães. Até o momento, Ingrid e Amanda não relataram terem sido vítimas de preconceito.
A felicidade é tamanha que elas optaram por sair do apartamento em que moravam e alugaram uma casa espaçosa no bairro Bela Vista, em São José. A família também aumentou com as cachorrinhas Brenda, Lara e Pagu. “Nossa vida é como uma propaganda de margarina”, resume Karini.
Comemoração
Durante esta semana, a Agência AL, a TVAL e a Rádio AL Online realizaram uma série de reportagens especiais sobre o Dia Nacional da Adoção, comemorado na próxima sexta-feira (25). A série também marca o primeiro ano da campanha “Adoção – Laços de Amor”, lançada em 2011 com o objetivo principal de estimular a adoção tardia – de crianças acima de três anos de idade -, reduzir o número de abrigados em instituições de acolhimento do estado e mostrar que, independente da idade, raça ou limitação física, todos precisam de uma família.
A iniciativa é uma parceria da Assembleia Legislativa, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC), Ministério Público (MP-SC) e Tribunal de Justiça (TJ-SC). (Marcelo Espinoza)

