Comunicação

Educadores buscam alternativas para lidar com o Bullying escolar


28/07/2010 - 18h00min

Programa de Combate ao Bullying Escolar e Educação para a Cultura da Paz

Programa de Combate ao Bullying Escolar e Educação para a Cultura da Paz

Na busca por paz nas escolas das redes públicas e privadas, autoridades e educadores se reuniram na tarde de ontem (27), em Presidente Getúlio, para debater o Bullying escolar. Promovido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina em parceria com o Ministério Público (MP), o evento tem objetivo de chamar a atenção da sociedade para o problema, orientando pais e professoras a lidar com o fenômeno que atualmente atinge, no mundo, cerca de 350 milhões de crianças e adolescentes, ou seja, um milhão de vítimas deste tipo de violência por dia.
Para o presidente da Escola do Legislativo, deputado Joares Ponticelli (PP), autor da Lei nº 14.651/09 que instituiu o Programa de Combate ao Bullying, ações como esta fazem a diferença. “Nossa proposta a partir da lei é de prevenir e combater a prática nas escolas, capacitando a partir desses encontros docentes e equipe pedagógica para as regras normativas contra a prática, esclarecendo sobre aspectos éticos, além de apoiar e desenvolver campanhas educativas”, ressaltou.
Com o objetivo de orientar e esclarecer o fenômeno Bullying, a professora Cléo Fante, doutoranda em Ciências da Educação e vice-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar, conversou com os educadores sobre as maneiras de combater a violência escolar. Ao considerar uma das formas de violência que mais cresce no mundo, Cléo informou que o Bullying pode acontecer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos ou até mesmo em locais de trabalho. Destacou, no entanto, que saber identificar a agressão é fundamental, pois nem todo tipo de violência pode ser considerado Bullying. “No contexto escolar, o Bullying é mais identificado, por esse motivo se exige maior atenção dos educadores para que se evitem consequências desastrosas, uma vez que sua manifestação pode ser física ou psicológica”, orientou.
Na oportunidade, Cléo destacou os prejuízos mais comuns às vítimas desse tipo de agressão: dificuldade no aprendizado, no desenvolvimento do processo de socialização e alteração na saúde mental. Os sintomas mais usuais são depressão, baixa autoestima, ansiedade e, por fim, abandono dos estudos. De acordo com a especialista, o Bullying é uma prática de exclusão social, cujo os principais alvos costumam ser pessoas mais retraídas e inseguras. “Precisamos estar atento, para que essas pessoas com essas características não se autoexcluam da sociedade, ou que se sintam desamparadas encontrando dificuldades de aceitação”, alertou.
Segundo a palestrante, a principal forma de enfrentar o Bullying é conhecê-lo, e a partir da capacitação profissional e discussão do tema junto à comunidade desenvolver soluções conjuntas. “A maneira de intervir é através da identificação de casos e suas causas detectados por educadores e familiares. Após essa constatação, as vítimas devem ser encaminhadas a profissionais especializados para cada caso”, concluiu a pesquisadora.
Convidada a participar do evento, a promotora de Justiça, Patrícia Albino Linhares, falou sobre a campanha estadual, “Bullying não é brincadeira” desenvolvida pelo Ministério Público de Santa Catarina. “Nossa campanha através de um material didático como, folderes, cartazes, gibis e marcadores de paginas vem orientando as crianças e os adolescentes de forma sutil para que ocorra o entendimento, de que o Bullying é uma prática ilegal que precisa ter fim”, comentou.
Para a promotora, é fundamental que a sociedade acredite na campanha e se engaje na iniciativa. “Precisamos continuar divulgando nosso trabalho junto aos educadores de todos municípios catarinenses, para que a prática do Bullying seja amenizada e finalmente tenha fim”, frisou. (Tatiani Magalhães/Divulgação Alesc)

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