Comunicação

Empresários chineses visitam minas no Sul do Estado


12/03/2012 - 21h05min

Visita – comitiva chinesa de Pingdibgshan

Visita – comitiva chinesa de Pingdibgshan

Verificar “in loco” as condições geográficas das áreas de extração de carvão em Santa Catarina e oferecer alternativas para fomentar o desenvolvimento do setor foi o que motivou representantes da Companhia de Maquinário de Carvão de Pingdingshan, na região central da China, a visitarem o Estado, na última semana. O interesse do grupo surgiu em dezembro do ano passado quando uma comitiva de parlamentares e empresários catarinenses organizada pela Secretaria Executiva de Relações Institucionais da Assembleia esteve naquele país. Na época, a delegação chefiada pelo deputado Valmir Comin (PP) e acompanhada pelo deputado Jailson Lima (PT) conheceu o maquinário desenvolvido pela empresa para a exploração do minério.
Iniciada na última quarta-feira (7), a incursão da equipe chinesa a Santa Catarina, incluiu visitas ao Poder Legislativo e ao Centro Administrativo do Estado. Mas foi no Sul do Estado que a comitiva cumpriu as principais agendas da viagem.
Um dos primeiros compromissos do grupo foi no Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo. Formada por três usinas num total de sete unidades, a estrutura gera 857 megawatts de energia. Segundo os técnicos, o volume gerado corresponde a até 70% da capacidade de produção da usina. Os 30% restantes só não são aproveitados por conta da preocupação com a emissão de resíduos originados a partir da queima.
O complexo já dispõe de estações de controle do ar e da água espalhadas por toda a região para mensurar os danos. Mas vê na tecnologia desenvolvida pelos chineses a chance de produzir mais com menos agressão ao meio ambiente. “Além de equipamentos de ponta, os chineses têm uma grande preocupação com as questões ambientais. Acho que podemos nos valer desse conhecimento para melhorar nossa performance”, diz Luiz Felippe, gerente regional do Complexo.

Minas
Para saber de que forma é possível ajudar nesse processo, os chineses foram ver de perto como funciona a extração do carvão no interior de duas minas localizadas em Criciúma. Ambas realizam o procedimento com a utilização de explosivos e também dos chamados mineradores contínuos, veículos com rodas ou esteiras utilizados para lavrar o carvão. A visita surpreendeu os chineses, especialmente pelo fato de que as condições verificadas podem ser adaptadas ao equipamento produzido pela empresa. “Máquinas automatizadas para aumentar a produtividade na exploração do carvão nós temos. O que falta é o Brasil repensar a utilização dos pilares para a sustentação das minas, que se forem removidos podem causar danos à estrutura do solo”, afirma Zhu Yongzhan, que atua na área de desenvolvimento tecnológico da empresa. “Nossa tecnologia permite eliminar esses pilares e utilizar os rejeitos para recompor e dar sustentação à área escavada. O Brasil só precisa de uma mudança na legislação nesse sentido”, completa.
Outra alteração proposta diz respeito ao atual modelo de usina termelétrica existente no Brasil. Ao contrário do que acontece aqui, o modelo desenvolvido pelos chineses permite a queima do carvão na forma bruta, incluindo os resíduos. Hoje é preciso beneficiar a matéria-prima antes de mandá-la para as usinas. A estrutura proposta também possibilita que durante o processo de queima sejam utilizados pelo menos 10% dos rejeitos já depositados no ambiente como forma de dar destino adequado a esses resíduos. O material resultante pode servir para a geração de subprodutos como o sulfato de amônia, utilizado na produção de fertilizantes. Segundo o deputado Valmir Comin, que preside o Fórum Parlamentar de Santa Catarina em Defesa do Carvão Mineral, “um desses subprodutos tem uma escala de um para mil, ou seja, um quilo dele equivale a mil quilos de carvão. É a algo sem precedentes do ponto de vista da agregação de valores, geração de emprego e renda e na linha da inclusão social”, destaca o parlamentar.

Pesquisas
O carvão existente no subsolo catarinense tem as características necessárias para a produção de uma série de subprodutos a partir do minério. Mas definir quantos deles seriam possíveis depende de pesquisas mais aprofundadas. A certeza, por enquanto, é que cidades como Criciúma, no Sul do Estado, têm muito a ganhar com isso. Um dos motivos está nas semelhanças com a cidade de Pingdingshan, que pode se tornar “irmã” do município catarinense, como já acontece entre o Estado e a Província de Henan. Para o prefeito Clésio Salvaro “a intenção é aproveitar a abertura proporcionada pela Assembleia através da comitiva que visitou a China no ano passado para estabelecer negócios e parcerias que impulsionem a economia da região.”
O deputado Jailson Lima, que acompanhou o grupo ao Sul do Estado, avalia como promissoras as possibilidades de parcerias com a cidade de Pingdingshan. E ressalta: “estabelecer negócios com a China vai tornar o Estado mais forte e muito mais competitivo.” O presidente do Sindicato da Indústria de Carvão Mineral de Santa Catarina (Siecesc), Ruy Hulse, partilha da mesma ideia. “A China é um gigante em termos de economia e o interesse deles na indústria do carvão em Santa Catarina pode significar o fortalecimento do setor”, diz o sindicalista.
No encontro realizado na sede do Sindicato, também teve destaque a atuação da SATC, instituição de ensino mantida pela indústria do carvão que forma e capacita profissionais para trabalhar na área. O diretor executivo da entidade, Fernando Luiz Zancan, disse à comitiva que os alunos da SATC já estão sendo preparados para ajudar na aproximação entre os representantes do setor na China e aqui no Estado. Parte deles já iniciou um curso de mandarim criado pela própria instituição.
Para os empresários de Pingdingshan, todas as iniciativas demonstradas durante a permanência do grupo no Estado mostram o interesse de Santa Catarina em estabelecer parcerias concretas. E a impressão foi das melhores. Li Xuewei, chefe de engenharia da Companhia, se disse surpreso com o que viu, especialmente em termos de preocupação ambiental, reaproveitamento dos recursos naturais e medidas de segurança no interior das minas. “Nós chineses temos muito a aprender com isso”, reconheceu. “Vamos agora verificar junto ao governo federal a criação de uma estratégia para a utilização do nosso maquinário no Brasil.” (Jucinei Cardoso)

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