Comunicação

Escola do Legislativo debate riscos da internet


07/10/2011 - 21h00min

Seminario “Pedofilia na Internet” em Criciúma

Seminario “Pedofilia na Internet” em Criciúma

O Ministério Público de Santa Catarina, em parceria com a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, levou hoje (7) o Seminário “Navegação Segura e Combate à Pedofilia na Internet” ao auditório da SATC – Educação e Tecnologia, em Criciúma. O palestrante Rodrigo Nejm, diretor de Prevenção da ONG Safernet Brasil, falou, pela manhã e à tarde, a mais de 600 pessoas, entre educadores e estudantes do ensino fundamental e médio, sobre os riscos da navegação para o público infanto-juvenil como ciberbullyng, fraudes e golpes diversos e, até mesmo, pedofilia.

A ONG Safer Nets mantém a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (www.denunciar.org.br), desde 2006, em parceria com o Ministério Público Federal, Polícia Federal, Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e outras entidades, e recebe uma média de 2.500 denúncias por dia. A maioria sobre páginas suspeitas de conter evidências de crimes de pornografia infantil, racismo, neonazismo, intolerância religiosa, apologia ou incitação a crimes contra a vida e a homofobia. “Muita gente procura auxílio da Safertnet por não saber ainda como se proteger na web que na verdade é uma tecnologia recente”, afirmou Nejm, que também é formado em Psicologia.

Por meio de uma linguagem acessível e analogias com desenhos animados, Nejm mostrou a evolução da informática e a influência que as redes sociais conquistaram na vida das pessoas até chegar aos perigos que a internet reserva, inclusive em atos aparentemente simples como a exibição de uma foto, o que pode resultar na perda da privacidade e em muito arrependimento. “Quando se publica uma foto na internet é para sempre. Não tem como apagar”, frisou. Nejm abordou ainda outros riscos, a exemplo do acesso involuntário de menores a conteúdos pornográficos ou a comunidades criminosas que fazem apologia ao suicídio ou ao uso de drogas.

Outra consequência do desconhecimento das pessoas sobre a rede, segundo o palestrante, é pensar que o ciberespaço é uma terra sem lei, o que gera o ciberbullyng: “Não se pode fazer tudo o que se quer sem consequências, a web é uma praça do tamanho do mundo inteiro frequentada por mais de 2 bilhões de pessoas, com suas leis e também com seus perigos”, definiu o psicólogo.

João Victor da Cruz Pereira, 13 anos, aluno do oitavo ano do ensino fundamental, faz parte do contingente de jovens que utiliza o computador em casa no mínimo uma hora e meia por dia, mas se declara preparado para navegar já que sempre recebe orientação dos pais. Entre elas, nunca fornecer pelo computador informações pessoais como endereço e número de documentos a pessoas desconhecidas. Fernanda Nart Colombo, 13 anos, que frequenta o nono ano do ensino fundamental, também usa o computador diariamente para estudo e diversão, e participou pela primeira vez de um seminário do gênero, que considerou muito educativo levantando temas que ela nunca havia considerado anteriormente.

A estudante de Direito, Karina Farias, membro do Conselho Tutelar do município, elogiou as cartilhas elaboradas pela Safertnet distribuídas no evento. Ela achou a linguagem adequada, informal, porém eficiente e acessível aos jovens. “Nós temos que nos adequar a eles e creio que encontrei este suporte aqui, estou contente”, ponderou.

Santa Catarina tem lei contra a pedofilia on-line

O Poder Legislativo de Santa Catarina está em sintonia com a ânsia da sociedade por mais segurança, inclusive no mundo virtual. Um dos temas abordados foi a contribuição da Lei 14.890/09, de autoria do deputado Darci de Matos (PSD), que disciplinou o controle de usuários nas chamadas lan-houses, que comercializam o acesso à internet. A lei é um instrumento que completa o artigo 277 da Constituição Federal que estabelece ser dever da família, da sociedade e do Estado colocar a criança e ao adolescente a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Sinais de alerta do uso incorreto da internet

Entre os conselhos divulgados pela ONG Safernet para pais e responsáveis por crianças e adolescentes estão dicas básicas de mudanças de comportamento que podem estar ligadas a riscos na rede. Confira:

* Observe se a criança ou adolescente fica on-line horas a fio, mais do que o necessário para seus estudos ou entretenimento;
* se quando está conectado à internet, age procurando esconder ou fechar rapidamente a tela quando alguém se aproxima;
* se diminui suas atividades sociais, preferindo o computador à família ou aos amigos;
* se demonstra que conheceu alguém on-line de quem não pode falar muito, ou sobre quem não revela toda a verdade. (Rossana Espezin)

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