
O escrivão Adinei Adir Nunes quer realizar um sonho: ser pai. Para isso, não vai recorrer aos métodos tradicionais. Solteiro, decidiu, em 2009, que iria adotar uma criança. Três anos depois, já conhece aquele que poderá ser seu filho.
Em breve, Rafael (nome fictício), 11 anos, e Adinei poderão finalmente ser uma família. O escrivão conheceu o menino há três semanas. Desde então, os dois passam os fins de semana juntos. No último, foi comemorado o aniversário de Rafael. E ele ganhou uma festinha para marcar a data.
“O processo [de adoção] está bem encaminhado. Houve uma resposta boa da parte dele. Eu já me apeguei a ele e percebi o mesmo dele em relação a mim”, conta Adinei.
A opção pela adoção tardia se deve à rotina do futuro pai. Ele trabalha o dia todo como escrivão na 7ª Delegacia de Polícia da Capital (Decap), em Canasvieiras, norte de Florianópolis. Saí cedo da casa onde mora com o irmão, no Campeche, e só retorna à noite.
“Adotar uma criança recém-nascida seria complicado porque eu não poderia dar a atenção e os cuidados necessários nessa idade”, explica. “Uma criança maior entenderá que eu, como pai, preciso trabalhar. Mas nem por isso deixarei de educá-lo e a orientá-lo a fazer as coisas certas”.
Realidade
Rafael e Adinei representam uma minoria nos processos de adoção. O menino é uma das quase 160 crianças e adolescentes em Santa Catarina, com idade entre oito e 15 anos, que vivem em casas de acolhimento e estão em condições legais de serem adotadas.
No entanto, outros 1,5 mil menores estão em abrigos espalhados por todo o estado. Eles ainda aguardam decisão da Justiça para saber se poderão ter ou não uma nova família.
Crianças como Rafael, devido à idade, geralmente são preteridas por boa parte dos 3.560 catarinenses interessados na adoção. Segundo números do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), 80% dessas pessoas querem crianças de até três anos, preferencialmente do sexo feminino e sem irmãos. Adinei é uma exceção: está entre os 20% que escolheram a adoção tardia.
Comemoração
Durante esta semana, a Agência AL, a TVAL e a Rádio AL Online realizaram uma série de reportagens especiais sobre o Dia Nacional da Adoção, comemorado na próxima sexta-feira (25). A série também marca o primeiro ano da campanha “Adoção – Laços de Amor”, lançada em 2011 com o objetivo principal de estimular a adoção tardia – de crianças acima de três anos de idade -, reduzir o número de abrigados em instituições de acolhimento do estado e mostrar que, independente da idade, raça ou limitação física, todos precisam de uma família.
A iniciativa é uma parceria da Assembleia Legislativa, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC), Ministério Público (MP-SC) e Tribunal de Justiça (TJ-SC). (Marcelo Espinoza)

