
O debate sobre currículo, formação continuada e cultura digital abriu, nesta quinta-feira (10), o segundo dia de programação do 1º Seminário Catarinense de Educação Integral, promovido pela Secretaria de Estado da Educação (SED). O evento está sendo realizado no auditório deputada Antonieta de Barros, da Assembleia Legislativa.
A primeira mesa temática de hoje contou com a participação de Edla Ramos e Juares Thiesen, ambos professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Em sua fala, Edla defendeu a necessidade de elaboração de um currículo que defina o uso pedagógico das tecnologias nas escolas. “Temos um problema, pois hoje se faz um trabalho baseado na intuição, falta intencionalidade. O currículo precisa de sistematização, clareza, orientação, sincronicidade”, disse.
A professora afirmou que os educadores não são preparados nas universidades para usar as tecnologias em sala de aula. “É preciso que toda a rede de ensino e que os gestores reflitam a respeito e estejam envolvidos para promover uma mudança neste sentido”, falou. Ela considerou a formação dos professores um ponto nevrálgico desse processo.
Na avaliação de Edla, as tecnologias têm um papel significativo no aprendizado de muitas disciplinas. “São ferramentas poderosas de criação artística, trazem a possibilidade de produção de imagens, vídeos, desenhos animados. E isso precisa ser ensinado nas salas de aula”. Para ela, não é adequado pensar em uma disciplina específica sobre tecnologias. “Elas perpassam todas as disciplinas, portanto é preciso que os professores de todas as áreas trabalhem com elas”, opinou.
De acordo com a especialista, o objetivo dos educadores não deve se basear apenas na formação dos jovens para o mercado de trabalho. “É preciso preparar cidadãos e transformar a escola em um local de produção e autoria em diversas mídias”, concluiu.
O professor Juares Thiesen ressaltou em seu pronunciamento que o currículo deve estar a serviço da formação dos estudantes, e não de interesses de organismos internacionais, do Estado, da escola ou de professores. Segundo ele, historicamente os estudantes têm sido colocados como sujeitos da escola, mas pouco como sujeitos do currículo. “Na perspectiva da construção dos saberes escolares, é preciso que eles sejam coparticipantes do processo de seleção, discussão, elaboração e organização dos conhecimentos”, comentou.
Na sua opinião, a definição dos conhecimentos mais relevantes a serem trabalhados na escola foi tradicionalmente marcada pela hegemonia europeia e norte-americana e agora o Brasil precisa construir o seu próprio currículo. “É absolutamente importante a ideia de estabelecer um currículo nacional, diretrizes curriculares ou mesmo uma educação integral com foco no interesse dos estudantes, na sua formação de totalidade, que vise sua autonomia, independência e emancipação”, frisou Thiesen.
O seminário, que reúne técnicos das secretarias municipais de educação, professores e gestores das redes pública e privada, será encerrado hoje, às 18 horas. (Ludmilla Gadotti)

