
Estruturas que ajudam a contar a história da mineração no Sul de Santa Catarina são revisitadas pela arte contemporânea na exposição “Ruínas: Fragmentos Poéticos”, da artista visual Andressa Gomes Flor.
A mostra está em cartaz na Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis, e pode ser visitada gratuitamente até 8 de outubro.
O trabalho parte de três patrimônios materiais tombados de Criciúma: a Caixa de Embarque de Carvão, a Mina Modelo Caetano Sônego e a Ponte de Ferro. A partir desses espaços, a artista desenvolve uma produção que reúne fotografia, serigrafia, cerâmica e instalação, utilizando diferentes linguagens para abordar as marcas deixadas pelo tempo e pela atividade carbonífera.
“O que despertou meu interesse por esses três patrimônios foi a relação que eles mantêm com a história da mineração e com a formação da identidade de Criciúma e do Sul de Santa Catarina. São estruturas que parecem silenciosas, mas que guardam muitas histórias, memórias e significados. Foi justamente essa relação entre tempo, memória, ruína e esquecimento que despertou meu interesse artístico.”
Marcas do tempo
O contato direto com os patrimônios também fez parte do processo de criação. Durante as visitas, detalhes dos espaços e histórias relacionadas a eles ajudaram a ampliar a percepção da artista sobre esses locais e contribuíram para a construção dos trabalhos apresentados na exposição.
“Os detalhes foram o que mais me surpreendeu nesses espaços: as marcas do tempo, as texturas, os desgastes, as estruturas que permanecem e até os espaços vazios. Esses detalhes acabaram se tornando importantes para o processo de criação. Passei a observar as ruínas não apenas como construções antigas, mas como fragmentos de memória, fragmentos poéticos.”
Diferentes linguagens
Na mostra, cada linguagem artística assume uma função dentro dessa investigação. As fotografias registram e recortam aspectos dos patrimônios, enquanto a serigrafia, a cerâmica e a instalação permitem outras formas de materializar e reinterpretar os elementos encontrados nesses espaços.
“A escolha da fotografia, da serigrafia, da cerâmica e da instalação aconteceu porque cada uma dessas linguagens me permite olhar para as ruínas por uma perspectiva diferente. A fotografia possibilita registrar detalhes que muitas vezes passam despercebidos. A serigrafia permite transformar e fragmentar essas imagens. A cerâmica, pela relação com a matéria, com a terra e com o tempo, estabelece uma conexão forte com a ideia de vestígio e permanência. Já a instalação amplia essa experiência, criando relações entre o espaço, os objetos e o próprio corpo do espectador.”
Além dessas linguagens, a exposição também conta com uma obra interativa de carimbos, que permite ao visitante criar a própria composição e levar consigo uma experiência da mostra.
Memória e preservação
A proposta não é apenas apresentar os patrimônios ao público, mas provocar uma aproximação com lugares que carregam diferentes camadas de memória. Ao deslocar esses elementos para o espaço expositivo, a artista convida o visitante a perceber as ruínas para além de sua dimensão física e histórica.
“Gostaria que a exposição despertasse um olhar mais atento para as marcas do tempo, para as histórias que esses lugares carregam e para a importância que eles têm na construção da memória e da identidade de Criciúma e da região. Também espero que o público perceba que uma ruína não representa apenas algo que ficou no passado. Ela pode ser um ponto de partida para refletirmos sobre o presente e sobre aquilo que escolhemos preservar ou deixar desaparecer.”
Memória transformada em cerâmica
Entre os trabalhos apresentados, as pequenas peças de cerâmica possuem um significado especial para Andressa. As obras foram criadas a partir da coleta de pedras, galhos, plantas e flores encontradas nos três patrimônios.
“As pequenas peças de cerâmica, criadas a partir das coletas de pedras, galhos, plantas e flores nos três patrimônios, têm um significado muito forte. Durante o processo, tive a orientação da minha amiga, professora, orientadora e curadora Odete Calderan, que foi essencial. Ela me orientou na escolha da argila, nas cores, no formato das peças, na queima e na pintura da cerâmica. Essas obras nasceram do encontro entre memória, matéria e olhar.”
Gustavo Willamil / Agência Alesc
Selecionada por meio do edital de exposições da Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho, “Ruínas: Fragmentos Poéticos” integra a programação cultural da Alesc e permanece aberta à visitação gratuita até 8 de outubro.
ALESC EXPLICA
É uma mostra da artista visual Andressa Gomes Flor que revisita, por meio da arte contemporânea, patrimônios materiais de Criciúma ligados à história da mineração.
A Caixa de Embarque de Carvão, a Mina Modelo Caetano Sônego e a Ponte de Ferro.
A produção reúne fotografia, serigrafia, cerâmica e instalação. A mostra também conta com uma obra interativa de carimbos.
Na Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis.
Até 8 de outubro, com visitação gratuita.

