Comunicação

Falta de exames de ressonância prejudicam diagnósticos de esclerose múltipla


Representante de entidade de pacientes alertou, na Alesc, para a falta de exames de ressonância magnética e os impactos no diagnóstico precoce da doença.

Pedro Schmitt
06/08/2026 - 10h27min

Marcia Denardin.

Marcia Denardin.

Foto: Jeferson Baldo / Agência Alesc

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O Agosto Laranja, mês de conscientização sobre a esclerose múltipla, motivou a interrupção da sessão matinal desta quinta-feira (6), para manifestação da presidente interina da Associação Florianopolitana de Pessoas com Esclerose Múltipla (Aflorem), e da entidade Vivendo Além da Esclerose, Marcia Denardin.

Ela apontou o grave quadro que dificulta diagnósticos da doença neurológica crônica, autoimune e degenerativa, em razão da falta de exames fundamentais de ressonância magnética.

Os hospitais públicos com ambulatórios direcionados para acompanhar pacientes, o Celso Ramos e o Universitário (HU), um não conta com o equipamento para realizar exames e o outro não oferece equipamento disponível há 11 meses.

Marcia tem a doença diagnosticada há 22 anos e se mantém com o fornecimento de medicamento obtido por via judicial.

Seu caso, por isso, não consta no número estimado de acometidos pela esclerose múltipla, estimado em mais de 2 mil pessoas em Santa Catarina.

Com o quadro, pacientes têm afetado o sistema de defesa, que ataca por engano a mielina, a capa protetora que reveste os neurônios, dificultando a passagem dos impulsos nervosos e a comunicação do corpo.

Entre as consequências, a doença provoca perda da visão, alteração da sensibilidade, dificuldade para caminhar, fadiga intensa, dores, alterações cognitivas, problemas urinários e de equilíbrio.

Doença das mil faces

“A esclerose múltipla é conhecida como a doença das mil faces, porque nenhuma pessoa apresenta os mesmos sintomas”, ela explica. Daí a importância de estruturação de redes de apoio.

“Nenhuma pessoa sozinha precisa enfrentar sozinha o diagnóstico da esclerose múltipla”.

A doença sem causa única conhecida é usualmente atribuída à combinação de fatores genéticos e ambientais, como infecções virais prévias.

Atinge com maior frequência jovens e adultos na faixa de 20 a 40 anos, sendo mais prevalente entre mulheres.

Marcia disse que, nas últimas semanas, em Florianópolis, foram diagnosticadas crianças com 12 e 14 anos.

E, nesses casos, a dificuldade cresce porque embora a Anvisa reconheça a eficiência de medicamentos pediátricos, eles não estão disponíveis via SUS e não são fornecidos pelos planos de saúde.

“E quanto mais cedo acontecer um diagnóstico assertivo, melhor para preservar funções neurológicas e evitar incapacidades futuras”.

Daí a importância de entidades que envolvem pacientes, familiares, e profissionais comprometidos.

“Paciente informado faz melhores escolhas”, ela explica, valorizando também a preservação e o fortalecimento dos ambulatórios especializados, reforçando suas estruturas.

“A esclerose múltipla não espera”.


ALESC EXPLICA

O que é a esclerose múltipla?

É uma doença neurológica crônica, autoimune e degenerativa que compromete a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo ao atingir a mielina, camada que protege os neurônios.

Por que a ressonância magnética é importante?

O exame é uma das principais ferramentas utilizadas para auxiliar no diagnóstico e no acompanhamento da evolução da doença.

O que é o Agosto Laranja?

É a campanha de conscientização sobre a esclerose múltipla, dedicada à divulgação de informações sobre diagnóstico, tratamento e qualidade de vida das pessoas com a doença.

Quem é mais afetado pela esclerose múltipla?

A doença ocorre com maior frequência em jovens e adultos entre 20 e 40 anos e apresenta maior prevalência entre mulheres.

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