Comunicação

Fazenda apresenta relatório orçamentário e faz defesa do modelo de gestão adotado


Alexandre Back
30/11/2022 - 16h59min

Secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, apresentou balanço do 2º quadrimestre na Comissão de Finanças

Secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, apresentou balanço do 2º quadrimestre na Comissão de Finanças

FOTO: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL

O secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, acompanhado da sua equipe técnica, esteve na manhã desta quarta-feira (30) na Assembleia Legislativa, onde participou da reunião ordinária da Comissão de Finanças e Tributação. O objetivo da vinda do secretário foi apresentar o relatório da execução orçamentária referente ao 2º Quadrimestre de 2022, conforme preceitua a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Na ocasião, Paulo Eli também falou sobre o modelo de gestão adotado na secretaria nos últimos cinco anos e sobre as metas estabelecidas para que o estado aumente a capacidade de investimento.

De acordo com os dados apresentados, entre maio e agosto deste ano o Estado registrou arrecadação de R$ 28,240 bilhões e despesa de R$ 26,173 bilhões, perfazendo superávit de R$ 2,07 bilhões. Apesar do resultado positivo, o montante ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando chegou a R$ 2,466 bilhões. Na soma dos impostos recolhidos pelo governo, o ICMS seguiu à frente, sendo responsável por 63,20% do total das receitas, chegando a R$ 17,85 bilhões.

Já a Receita Corrente Líquida Disponível, índice que serve de base de cálculo para o repasse de recursos para os poderes e órgãos públicos, chegou a R$ 18,30 bilhões, possibilitando a destinação de R$ 4,03 bilhões.

No comportamento da despesa, foram destacadas diversas elevações, como  366% nos recursos disponibilizados para investimentos, 21% nos gastos com pessoal e encargos sociais e 18% na manutenção dos serviços públicos, ante um IPCA de 8,73% no período. Sobre esta questão, Paulo Eli observou que impactaram nos resultados a adoção do piso salarial do magistério e o aumento dos custos com a área da saúde devido a pandemia de Covid-19.

Especificamente sobre os gastos com pessoal, o diretor de Contabilidade e Informações Fiscais da SEF, Jefferson Fernando Grande, explicou que o Estado se manteve dentro dos limites da LRF. “Encerramos o segundo quadrimestre com 41,92% da despesa com pessoal em relação à Receita Corrente Líquida, ou seja, abaixo do limite de alerta, que é de 44,10%.”

Na relação entre receitas e despesas correntes, outro índice fiscal importante da LRF, o Estado chegou a 82,83%, diante do limite de 95%. Apesar  de positivo, o resultado ficou distante da meta traçada pelo governo, comentou Paulo Eli. “Precisamos ser mais ousados, ter mais trajetória e chegar em 75%, o que nos vai possibilitar aumentar o ritmo de investimentos e reduzir a dívida pública.” 

Investimentos e dívida pública
No que se refere aos mínimos constitucionais, foram aplicados R$ 3,48 bilhões na área da saúde, ou 13,32% da Receita Corrente Líquida (RCL), acima dos 12% exigidos legalmente. Já para a educação, os  repasses chegaram a R$ 6,60 bilhões, o que equivale a 26,44% da RCL, ante os 25% fixados em lei. No que se refere ao Fundeb, 77,37% dos seus recursos foram destinados para a remuneração dos profissionais da educação básica. O índice mínimo fixado na legislação federal, neste caso, é de 70%.

Já as áreas da segurança pública e desenvolvimento social foram contempladas com R$ 3,33 bilhões e R$ 77,11 milhões, respectivamente. Os investimentos realizados  pelo governo, como obras e a aquisição de equipamentos, receberam R$ 4,35 bilhões, valor 383% superior em relação ao segundo quadrimestre de 2021.

Um fato apontado pela secretária-adjunta da Fazenda, Michele Patricia Roncalio, foi a elevação de 8,98% no déficit do resultado previdenciário em relação ao mesmo período do ano passado, com o registro de R$ 2,17 bilhões de receitas, contra R$ 5,79 bilhões de despesas. “Vejam que a previdência envolve um consumo de recursos significativo. A nossa despesa previdenciária é mais que o dobro da nossa receita previdenciária, mas com algumas medidas conseguimos ter um controle desse crescimento, que ficou em 8,98%, muito pouco acima do IPCA no período, de 8,73%.”

A dívida consolidada do Estado chegou a R$ 22 bilhões, ou 37,18% da RCL, mantendo o resultado do quadrimestre anterior.  O limite estabelecido pela LRF para o endividamento dos estados é de até 200% da RCL.

No que se refere à capacidade de pagamento, índice de acompanhamento da Secretaria do Tesouro Nacional, que compara as trajetórias de índices de endividamento e poupança corrente, foi mantida a classificação “B”, mantendo a  capacidade do Estado em realizar operações de tomada de crédito.

Os números apresentados durante a reunião constam no Relatório Resumido de Execução Orçamentária do 4º bimestre de 2022 e no Relatório de Gestão Fiscal do Poder Executivo do 2º quadrimestre de 2022, publicados, respectivamente, nos Diários Oficiais do Estado n° 21.868 do dia 30 de setembro, e n° 21.866  do dia  28 de setembro. Os resultados também estão disponíveis na página eletrônica da Secretaria da Fazenda e no Portal Transparência mantido pelo governo.

Modelo de gestão
Ao final da explanação, a deputada Luciane Carminatti (PT), representando os demais integrantes da Comissão de Finanças, apresentou uma série de questionamentos ao secretário, sobretudo com relação à expectativa em relação às finanças do Estado a partir do próximo ano.

Em resposta, Paulo Eli afirmou que o novo governo, que assume no início de 2023, receberá um Estado com as finanças em equilíbrio e sem passivos além dos já recebidos pela gestão de Carlos Moisés, como a dívida pública e os precatórios. “Vamos passar o Estado com todos os fornecedores em dia e funcionando a pleno vapor. Basicamente, o que vai ficar são as dívidas de legado, que são recebidas em todas as gestões."

Ele disse que a atual administração também já tomou as medidas  necessárias para contornar a queda de arrecadação decorrente da redução das alíquotas do ICMS dos combustíveis, energia elétrica e comunicações, que soma R$ 300 milhões ao mês. Foram citadas a saída do sistema de substituição tributária; a redução de 17% para 12% na alíquota de imposto nas operações entre contribuintes, em especial na indústria; e o incremento nos investimentos na infraestrutura de logística e em programas como o Pró-Emprego.

Paulo Eli fez ainda uma defesa do modelo aplicado na Secretaria de Estado da Fazenda durante a sua gestão, afirmando que manteve benefícios fiscais a alguns setores econômicos específicos como forma de manter os investimentos privados, fomentar a geração de empregos e elevar o nível da arrecadação pública.

O gestor observou, entretanto, que ainda há margem para a redução dos benefícios fiscais de muitos outros setores, deixando a questão para ser resolvida pelos deputados no ano de 2023. “Eu pergunto para vocês, picanha e cerveja precisam ter benefícios fiscais? Essa é uma pergunta que o Parlamento precisa responder no ano que vem, quando isto for trazido.”

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