
A administração da sexualidade pelos deficientes foi debatida por ocasião do 44º aniversário da Fundação Catarinense de Educação Especial. O debate aconteceu nesta terça-feira (8), às 14 horas, no auditório deputada Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa.
Para a professora Lucena Dall’Alba, da UFSC, o debate sobre a sexualidade “está vinculada aos olhares que temos sobre o sexo”, mediados pela biologia e medicina e marcados pelo pecado e a doença. De acordo com Lucena, sob estes pontos de vistas o sexo é privativo do homem e da mulher adultos e economicamente independentes, enquanto os deficientes são percebidos como seres assexuados.
Lucena, cuja irmã foi identificada como deficiente, contou sua experiência e descreveu a reação da família quando a irmã manifestou o desejo de transar, namorar e casar. “Literalmente enlouquecemos com a possibilidade dela ter uma relação sexual”, confessou. Para a professora Jimena Furlani, da Udesc, os educadores e os pais precisam perceber a sexualidade dos deficientes para ajudá-los a compreender conceitos como privacidade e intimidade. Jimena afirmou que as políticas adotadas pela Udesc, como a acessibilidade e a inclusão, possibilitaram a muitos deficientes a oportunidade de cursar o terceiro grau, “apesar da sociedade excludente”.
O professor Álvaro José de Oliveira, do curso de Medicina da Unisul, destacou a gravidez indesejada, quando a “menina não tem condições de cumprir o papel de mãe e educadora”. Segundo Álvaro, os profissionais que atuam no ambulatório na Unisul estão orientando as famílias no sentido de pensar na sexualidade do deficiente. “Eles também tem o direito à pílula, à laqueadura e à esterilização”, defendeu. Participaram do evento professores das redes pública e privada, da FCEE, alunos, pais e deficientes residentes na Grande Florianópolis. (Vitor Santos).

