Comunicação

Parceria viabiliza esteira de testes para ratos dentro de câmara hiperbárica


Vítor Santos
25/10/2018 - 16h45min

A câmara hiperbárica permite aos animais respirarem enquanto correm na esteira em uma pressão maior que a atmosférica

A câmara hiperbárica permite aos animais respirarem enquanto correm na esteira em uma pressão maior que a atmosférica

FOTO: Solon Soares/Agência AL

Uma demanda de pesquisa sobre os efeitos da doença renal crônica nos pulmões dos ratos, do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (Cefid), da Udesc, levou professores e alunos de Mecatrônica do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) a construírem uma esteira dentro de uma câmara hiperbárica para os animais de laboratório.

“A pesquisa precisava de uma câmara com controle de pressão e dentro uma esteira para ratos, com controle de posição, velocidade e temperatura. Começamos do zero, desde a concepção até o final, isso agregou competências que a gente não consegue dar só com as aulas”, afirmou o professor Valdir Noll, do laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Grupo de Sistemas Embarcados e Distribuídos (NERsD), do IFSC, que conversou com a Agência AL nesta quinta-feira (25).

A câmara hiperbárica permite aos animais respirarem enquanto correm na esteira em uma pressão maior que a atmosférica, denominada aplicação positiva de oxigênio, como já acontece com humanos em clínicas e hospitais.

“A aplicação de pressão positiva potencializa a passagem do oxigênio para o pulmão, diminuindo a falta de ar e melhorando o condicionamento para atividades físicas. Já temos isso nos hospitais, então fizemos o caminho inverso para desvendar os mecanismos da doença renal que permanecem obscuros”, declarou a professora da Udesc, Deborah de Camargo Hizume Kunzler, que coordena a pesquisa sobre os efeitos da doença renal na instituição.

A doença renal crônica, segundo a pesquisadora, tem repercussão em vários órgãos e um dos mais atingidos é o pulmão.

“Os rins não conseguem produzir e excretar a quantidade normal de urina, o líquido fica retido no corpo e o acúmulo no pulmão diminui a absorção de oxigênio”, informou a pesquisadora.

Em fase de testes
Atualmente a esteira está em fase de testes no Laboratório de Pesquisas Experimentais (Lapex) do Cefid, localizado em Coqueiros, zona continental de Florianópolis.

“Recebemos a esteira em 1º outubro, o laboratório foi inaugurado dia 8, no dia 10 fomos autorizados a trabalhar com os ratos. Levamos três dias para adaptar os animais, porque no primeiro dia ele estranha o ambiente, corre um pouco e para, mas uma vez adaptados, fazem meia hora de esteira, cinco vezes por semana, durante quatro semanas”, revelou a pesquisadora.

De acordo com Deborah Kunzler, ainda não foram feitos os testes com o uso de ar comprimido e os experimentos propriamente ditos devem começar em fevereiro de 2019.

“Induzimos a doença no animal para simular situações que acometem os humanos, mas com os ratos é possível abrir os tecidos, avaliar as células e ver quais mecanismos que a gente pode alterar no processo terapêutico”, justificou a coordenadora do Lapex.

Relações pessoais e financiamento público
O caso da esteira em uma câmara hiperbárica mostra a importância de financiamento público para pesquisa e como as relações pessoais ainda superam os diálogos interacadêmicos.

“Somos amigos, um dia a Déborah me disse ‘você trabalha na área que preciso de ajuda’. Ficou insistindo uns meses, dizia ‘vamos tentar’. Isso era junho, em outubro apareceu uma oportunidade, um edital da Fapesc dando dinheiro para quem quisesse fazer parceria, dava R$ 10 mil”, contou Valdir Noll, do IFSC.

Segundo o professor do IFSC, além dos R$ 10 mil, foram necessários mais R$ 5 mil para comprar os materiais e equipamentos utilizados na esteira hiperbárica.

“Ainda não tem patente, mas temos intenção de patentear”, acrescentou Valdir Noll.

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias