Comunicação

Lideranças comunitárias apelam para aumentar efetivo da PM no bairro Trindade, na Capital


13/07/2010 - 16h00min

Audiência Pública para tratar de assuntos referentes a Segurança Pública no bairro Trindade

Audiência Pública para tratar de assuntos referentes a Segurança Pública no bairro Trindade

Com objetivo de sensibilizar as autoridades para o aumento de violência no bairro Trindade, em Florianópolis, foi realizada, dia 12, audiência pública pela Comissão de Segurança Pública. Requerida pelo deputado Jailson Lima (PT), a reunião recebeu no Plenarinho Deputado Stuart Wright várias lideranças comunitárias preocupadas com a falta da Polícia Militar nas ruas da cidade. O deputado Sargento Amauri Soares (PDT), vice-presidente da Comissão de Segurança, coordenou os debates. “Já organizamos várias audiências e sentimos a angústia crescente da população em relação a este tema”, afirmou Soares.
Jailson Lima lembrou que bairros como a Trindade chegam a ter densidade populacional maior do que vários municípios catarinenses. Como estão inseridos em um grande centro, no entanto, a localidade sofre mais com o avanço das drogas que levam à violência.
Gilson Kremer, gerente da agência do Banco do Brasil na Trindade, disse que gostaria de ver a polícia realizar “uma ação pró-ativa e não reativa”. O bancário compartilha todos os dias com os clientes do banco o sentimento de insegurança reinante na região. “Tememos pelas pessoas idosas que sacam sua aposentadoria e podem ser assaltadas logo na saída do banco”, relatou.
Joel de Castro, presidente do Conselho de Segurança (Conseg) da Trindade, garantiu que os 49 policiais da 4ª Cia são insuficientes para cuidar de 60 mil habitantes. “Contamos com 11 agências bancárias, dois grandes supermercados, um shopping, várias casas lotéricas, um comércio forte, empresas. Não podemos mais aceitar o governo dizer que não há policiais para o bairro. Queremos uma luz no fim do túnel”, frisou.
A sensação de que os criminosos têm o controle da região é a maior preocupação de José Diogo Marques, presidente da Associação dos Moradores da Trindade. Segundo ele, aulas foram suspensas na Escola Pública Hilda Theodoro Vieira devido à violência. “Estamos deixando o caldeirão ferver demais!”, lamentou.
Soluções
A representante da Associação dos Moradores da Vila Tecnópolis, no bairro João Paulo, Adelaide Santa da Câmara, convocou a população a deixar a comodidade de lado e participar ativamente na luta contra a violência. Descrente das promessas do governo, Romeu Franzoni Júnior, vice-presidente do Conseg do bairro Itacorubi, garante que a população não somente da Trindade, mas de toda bacia do Itacorubi precisa de soluções imediatas. Na mesma linha, se manifestaram outras lideranças como Israel da Silva, da Associação de Moradores da Barreira do Janga, no Saco Grande.
Morador do Pantanal, José Henrique Mendonça já foi vítima da violência várias vezes. Foi assaltado em casa, na rua e diz que a sensação é de impunidade absoluta. “Cheguei a presenciar um assalto na rua, de dia, eram dois rapazes agredindo uma moça, perto da universidade. Comecei a buzinar para tentar fazer alguma coisa, mas a reação dos criminosos é de que não temem nada, acreditam que não serão molestados”.
O Coronel Cláudio Gomes, representante do Comando Geral da Polícia Militar, comunicou que novas ações vêm sendo desenvolvidas desde maio, como a reorganização das escalas para gerenciar melhor os recursos humanos e materiais disponíveis. De acordo com o Coronel, “é preciso driblar as dificuldades”, embora informe, baseado em estatísticas, que a violência não aumentou desde o ano passado em Florianópolis. “De janeiro a julho de 2009, registramos quatro homicídios contra três em 2010, por exemplo”, concluiu. (Rossana Espezin/Divulgação Alesc).

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