
Na Semana Estadual de Combate às Hepatites, celebrada anualmente na terceira semana de maio, o médico infectologista e diretor da Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, Fábio Gaudenz de Faria, esteve no Parlamento catarinense para falar sobre o tema. Em entrevista na tarde desta quinta-feira (17), ao programa Seu Direito, exibido pela TVAL, o especialista abordou pontos específicos de prevenção, tratamento e os serviços oferecidos pela rede pública de saúde aos portadores de hepatites virais.
A lei que institui a Semana Estadual de Combate às Hepatites em Santa Catarina resulta do Projeto de Lei nº 181/11, de autoria do deputado Neodi Saretta (PT). Em seu argumento, o parlamentar disse que o teor da lei serve de ferramenta para alertar e informar, durante a semana celebrada sobre a doença, sua forma de transmissão e diagnósticos.
Durante a conversa, Gaudenz especificou os três tipos de hepatite ressaltando as diferenças entre elas e os principais cuidados necessários para cada tipo. Segundo ele, a hepatite A normalmente é benigna, que não tonifica, ou seja, a pessoa tem o contato com o vírus e desenvolve a doença, porém espontaneamente o doente obtém a cura. “Os sintomas são vômitos, diarreia e olhos amarelados. A transmissão é chamada de fecal-oral, onde sua contaminação geralmente se dá através da água e alimentos contaminados”, destacou.
Ao abordar as hepatites B e C, o especialista ressaltou que existe uma mudança de preocupação e foco. Segundo ele, os dois tipos de hepatite têm como características cronificar, ou seja, ao ter contato com esses tipos de vírus a pessoa não vai se curar espontaneamente e acaba desenvolvendo a hepatite crônica. “A cronicidade da doença resulta em uma séria lesão no fígado, comprometendo o órgão e levando a sua destruição, que resulta na cirrose. Nestes casos de contaminação o recomendado é o tratamento imediato sob auxílio de um médico especialista”, alertou.
Na ocasião, Gaudenz mencionou que em Santa Catarina existem mais casos de hepatite C no litoral, e hepatite B, no Oeste. “Avaliamos que no litoral existe uma associação da doença com o uso de drogas injetáveis e drogas inalatórias. Até mesmo o consumo do crack através do cachimbo pode transmitir a hepatite C, sendo que o usuário pode ter um ferimento nos lábios. Já na região Oeste, onde tem o predomínio da hepatite B, tem se associado a contaminação do vírus a uma similaridade com o vírus da hepatite B europeu. “Existe a hipótese de que ele tenha vindo com os imigrantes italianos, e com isso se deu a transmissão na região, sendo que este tipo tem uma contaminação mais eficaz do que o C. Um contato sexual, ou com instrumentos que cortam, podem transmitir este vírus”, frisou.
Com relação ao tratamento no estado, o médico explicou que de maneira geral os medicamentos são distribuídos através do Sistema Único de Saúde (SUS). Existem alguns critérios que indicam o tratamento, com tempo diferenciado. As consultas e biópsias hepáticas são realizadas pelas prefeituras que, organizadas em polos regionalizados, conseguem dar suporte às prefeituras menores e, assim, assegurar esse serviço que leva ao diagnóstico. “Hoje nossa maior preocupação é fazer com que o profissional da saúde se conscientize da necessidade de pedir o exame, caso haja suspeita da doença”, completou. (Tatiani Magalhães)

