Comunicação

Mulheres debatem os desafios do século XXI em São Miguel do Oeste


03/11/2011 - 19h05min

A independência econômica, a participação política e a autonomia sobre o próprio corpo. Estes são os desafios impostos às brasileiras do século XXI, segundo Justina Inês Cima, agricultora e integrante do Movimento das Mulheres Camponesas e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, palestrante do curso de formação política para mulheres, patrocinado pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, que prossegue na tarde desta quinta-feira (3), em São Miguel do Oeste.

Segundo Justina, a mulher tem de compreender a exploração do capitalismo sobre a classe trabalhadora e a discriminação de gênero, para daí reagir e lutar por uma sociedade com igualdade de direitos. “As mulheres não são propriedade privada dos homens”, disparou. Justina também recusou o discurso de que as mulheres não disputam espaços com os homens. “Tem que disputar com os homens, não há outra forma de ocupar espaço”. A agricultora advogou a conquista de espaços através da conversa, do diálogo, com trabalho, luta e sedução.

A advogada Joice Graciele Nielson, coordenadora de planejamento e projetos da prefeitura de Ijuí (RS), enumerou os diversos tipos de violência contra a mulher: doméstica, familiar, física, institucional, moral, patrimonial, psicológica e sexual. As causas, de acordo com Joice, são principalmente o ciúme, o alcoolismo, a desigualdade e o preconceito. “Não se rompe o processo histórico da noite para o dia, mas é preciso começar”, recomendou.

Joice criticou o padrão de beleza, que escraviza a mulher. Afirmou que a mulher não deve se submeter aos desejos do homem quando não está a fim. “A relação sexual precisa ser desejada também pela mulher”. Joice também explicou que a simples edição de leis para a proteção da mulher não altera o comportamento das pessoas e a cultura existente. “Precisamos exigir um conjunto de políticas públicas planejadas, com recursos previstos nos orçamentos e comprometimento de todas as esferas de poder, caso contrário não haverá avanços”, sentenciou.

As mulheres do Extremo Oeste discutiram ainda questões ligadas ao acesso ao crédito, ao SUS, às políticas assistenciais, bem como a alocação de recursos nos planos plurianuais e orçamentos dos municípios, estados e União. Amanhã, sexta-feira (4), será a vez das mulheres de Chapecó e região participarem da terceira edição do curso de formação política para as mulheres, da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira. (Vitor Santos)

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