
As raízes culturais das pessoas que colonizaram Chapecó, a forma de sobreviver e a garra que tiveram para desbravar uma região em que tudo estava por ser feito são alguns aspectos retratados no Museu da Colonização de Chapecó – MCC, inaugurado hoje, dia 08, no Parque Municipal Tancredo Neves, sede da Efapi. O prédio que abriga o museu é o antigo sobrado da família de Ernesto Bertaso, o colonizador do município, tombado este ano como patrimônio histórico estadual.
Oficialmente criado no dia 6 de abril de 2011, o MCC é o museu de número 200 no estado de Santa Catarina e a partir desta edição da Efapi ficará aberto permanentemente durante todo o ano. No primeiro andar do antigo casarão da família Bertaso, construído em 1921/1922, foram montados cinco ambientes que retratam um recorte histórico de 1840 – data do início do povoamento da região – até 1930. As etnias italiana, alemã e polonesa, predominantes no município, são mostradas em sua forma de vida rústica do início do século passado, a partir de seus objetos, costumes e afazeres.
“O colono veio para cá com o sonho de ter seu próprio pedaço de terra, esse sonho foi concretizado e em menos de 100 anos essas pessoas construíram a história grandiosa de um município que hoje se destaca como centro produtor de alimentos, como polo metalmecânico e pela existência de várias universidades”, orgulha-se Oracílio Costella, gerente de Cultura, Patrimônio Histórico e Memória da Fundação Cultural de Chapecó, gestora do museu.
No primeiro ambiente do casarão estão expostos os registros da primeira fase da colonização, promovida a partir de 1918 pela empresa Bertaso e Maia, do Rio Grande do Sul, que comprou a colônia de terras da Baronesa de Limeira. O plano diretor da cidade, com suas avenidas largas e traçado geométrico, foi pensado por Ernesto Bertaso, conforme explica Costella. A fase que precedeu a colonização, quando a região era habitada apenas por indígenas e caboclos, também está registrada no museu, por meio de fotografias e textos.
No passeio pelos espaços, o visitante pode conhecer os objetos usados pelos colonos no dia a dia, máquinas e ferramentas de trabalho daquela época, e pode compreender a evolução da economia do município e da região – passando pelas fases da erva-mate e da madeira até o desenvolvimento da agroindústria a partir da década de 1970. Mas é na “Sala dos sabores e memórias” que muitos podem encontrar traços de sua própria história, retratados nos alimentos e produtos típicos que caracterizam a gastronomia e a cultura dos descendentes de imigrantes europeus. (Lisandrea Costa)

