
O Estado de Santa Catarina possui um índice de mortalidade por Aids superior à média nacional. O dado foi apresentado na tarde desta segunda-feira (12) pelo diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado, Luis Antonio Silva, durante a mesa redonda sobre o enfrentamento da epidemia da doença no Brasil, no II Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Enquanto no Brasil a mortalidade na média é de 6,3%, em Santa Catarina essa porcentagem foi de 8,6, conforme dados de 2011.
“Uma porcentagem grande dos portadores do HIV é internada e chega a óbito antes de saber que estava contaminada”, explica Silva. Além disso, há a possibilidade do tipo de vírus que circula por Santa Catarina e Rio Grande do Sul ser diferente daquele encontrado em outros estados brasileiros, o que poderia explicar a maior mortalidade.
O diretor acredita que um dos desafios no combate à Aids é justamente a redução desse índice. “E isso passa pelo diagnóstico precoce da contaminação. Quanto antes a pessoa souber que é portadora do HIV, melhor será sua qualidade de vida”, explica.
Silva apontou avanços importantes no combate à doença no Estado. Como exemplos, ele cita as campanhas de teste rápido em gestantes, que diminuíram drasticamente os índices de contaminação em recém-nascidos, e o programa de redução de riscos, implantado por meio da Lei Estadual 11.063/2003, de autoria do deputado Volnei Morastoni (PT). Por meio dessa lei, o Estado passou a distribui gratuitamente kits de redução de risco para usuários de drogas.
O diretor da Vigilância também apontou a necessidade de readequação das fontes de financiamento das ações de combate à doença, aumento na cobertura do atendimento de pessoas que estão expostas ou vivem com o vírus e maior integração com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Exemplo
Abordado o mesmo tema, mas sobre o ponto de vista dos municípios, a médica Rosalie Kupka Knoll, que trabalhou em Itajaí e atualmente atua no combate à Aids em Balneário Camboriú, mostrou o exemplo do trabalho desenvolvido em Itajaí, quando constatou-se que a cidade portuária tinha um dos maiores índices de incidência da doença no Brasil.
Rosalie lembrou que em Itajaí 54% dos casos envolviam usuários de drogas. Graças à implantação do programa de redução de riscos e ao envolvimento do Ministério Público, da universidade e o entrosamento entre os vários programas de prevenção no município, foi possível mudar esse quadro. Se há um trabalho desenvolvido de forma multissetorial, agregador, com várias parcerias e união de forças, ele dá certo”.
Atualmente, em Itajaí, o perfil da epidemia mudou e passou a englobar o público heterossexual, principalmente mulheres adultas e pobres, além de jovens homossexuais. “É preciso olhar também esse novo perfil sem se esquecer dos outros perfis de risco”, considera.
Para ela, o enfrentamento à Aids passa também pela qualificação dos profissionais da saúde e pelo combate ao preconceito. (Marcelo Espinoza)

