Comunicação

Mês da mulher: palestra aborda financiamento eleitoral para candidatas


12/03/2020 - 14h24min

Palestra da advogada Ana Blasi integrou programação da Bancada Feminina alusiva ao mês da mulher

Palestra da advogada Ana Blasi integrou programação da Bancada Feminina alusiva ao mês da mulher

FOTO: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL

A distribuição dos recursos do fundo eleitoral, a forma como essa verba chega até as mulheres candidatas e os estímulos que ainda precisam ser dados às candidaturas femininas foram alguns dos temas abordados pela advogada e professora Ana Blasi em palestra, na noite de quarta-feira (11), dentro da programação da Assembleia Legislativa alusiva ao mês da mulher. Ana Blasi é mestre em Direito do Estado pela Universidade Federal de Santa Catarina e ex-juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) catarinense.

A grande preocupação da especialista é que as verbas do fundo eleitoral – que este ano equivalem a R$ 2 bilhões – cheguem até as mãos das mulheres que disputarem a eleição. Segundo ela, isso não aconteceu de forma adequada no pleito de 2018. “Pela autonomia partidária, cabe ao partido a distribuição deste recurso. Essa é a maior preocupação de todos, juristas e órgãos de controle, como TREs e TSE”, afirmou a advogada. “A executiva nacional se reúne, faz uma resolução e define como essa verba vai chegar para estados e, agora, municípios”, completou.

Ana Blasi expôs as formas de arrecadação de recursos e as limitações legais das doações e os critérios de distribuição do fundo eleitoral que, ela acredita, vai melhorar o sistema eleitoral brasileiro. “O fundão é importante tanto para combater a corrupção eleitoral quanto para melhorar o financiamento das campanhas públicas. Então, o que antes se criticava, ao que parece, pela eleição de 2018, veio para ficar e para melhorar nosso sistema eleitoral”, avaliou.

Longo caminho
Para a advogada, o Brasil ainda tem muito caminho para percorrer até alcançar uma situação de equilíbrio entre candidaturas masculinas e femininas. “O sistema proporcional de lista aberta que a gente adota dificulta a eleição de mulheres”, disse. Ana Blasi citou México e Argentina como países onde há maior avanço nesta questão. “Eu tive uma experiência na Argentina recentemente, acompanhando a eleição como observadora internacional. Lá, eles conquistaram a paridade 50%-50%. Foi a primeira eleição assim na Argentina, mas lá é lista fechada, é diferente o sistema”, revelou.

A deputada Ada de Luca (MDB) ressaltou a importância de eventos como esse para atrair as mulheres para a política. “Todo evento que acontece estimulando a mulher a entrar na política ainda é pouco. Porque está um pouco fraco o movimento das mulheres. Eu sinto um certo medo na mulher, coisa que não era mais para ter”, avaliou.

Segundo a parlamentar, a destinação obrigatória de uma parcela do fundo eleitoral para as mulheres vai dar uma base para “mulheres, meninas e senhoras que serão candidatas a prefeita e vereadora”. Ada de Luca defendeu que as mulheres precisam lutar para não perder o direito a essa verba. “Porque às vezes eu me preocupo se ele vai chegar. Mas a gente fica na torcida para que chegue”, concluiu.

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