Comunicação

Palestra sobre Copa do Mundo dá lição de planejamento


20/05/2011 - 18h00min

Palestra com Henry Grimbeek – Copa do Mundo – Ações e Planejamento

Palestra com Henry Grimbeek – Copa do Mundo – Ações e Planejamento

Os bastidores da Copa do Mundo 2010 foi o tema da palestra do gerente de projetos da Fifa, o sulafricano Henry Grimbeek, proferida quinta-feira (19), na XV Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, em Florianópolis. O chefe estratégico do último mundial, realizado na África do Sul, passou uma mensagem de otimismo para o Brasil, país sede da Copa de 2014. O recado foi baseado na experiência de quem aceitou o desafio de realizar um megaespetáculo na jovem democracia sulafricana, pós-apartheid.
“Parem de ser negativos, mudem suas mentes. O Brasil é quatro vezes mais rico em recursos do que a África do Sul e tem condições de realizar um evento igualmente bem sucedido”, afirmou o administrador. O segredo do sucesso, segundo ele, é “planejar, planejar, planejar”, além é claro de um investimento orçado inicialmente em 8,4 bilhões de rands (cerca de R$ 2,15 bilhões), mas que praticamente dobrou até o dia da estreia, em 11 de junho de 2010, conforme dados do governo sulafricano.
Pelos cálculos de Grimbeek, foram 90 mil horas de planejamento durante 44 meses. Este tempo não foi dedicado somente à infraestrutura e construção de estádios. Incluiu estratégias de mobilização popular, principalmente nas cidades-sede, para criar uma “vibração positiva”, como ele mesmo define, em torno do mundial.
Essa campanha pró-evento incluiu relógios de contagem regressiva, uma repaginação das cidades-sede, a implantação de um forte esquema de segurança e a mobilização de um exército de quase mil voluntários que começou a ser alistado e treinado com antecedência de dois anos e meio.
Outro grande desafio foi garantir a mobilidade urbana. Viabilizar o transporte das regiões centrais aos locais dos jogos, e a evacuação dos estádios sem transtornos e engarrafamentos, assim como providenciar espaços seguros para estacionamentos. Sessenta e quatro câmeras de vigilância foram instaladas. O resultado foi incidência zero de furtos e arrombamentos de veículos nesses locais durante a Copa do Mundo e um aumento de 200% no turismo da África do Sul, depois do término do mundial.
“Foram centenas de variáveis que tinham de ser monitoradas ao mesmo tempo. Para isso instalamos um processo de controle contínuo, com reuniões antes e depois de cada jogo e até hoje, um ano depois, ainda estamos revendo algumas coisas”, contou Grimbeek. O representante da Fifa salientou, ainda, que dificilmente um país vai sediar uma Copa do Mundo duas vezes em um intervalo menor de 50 anos. Por isso, não pode haver uma larga margem de erros e cada um deve achar sua maneira própria de contornar problemas e criar soluções. “Um mundial não é como o Carnaval que pode ser melhorado todos os anos”, comparou.
Grimbeek falou também sobre o legado do evento: maior infraestrutura, incremento do turismo, embelezamento das cidades, melhoria em aeroportos, rodoviárias, nos sistemas de segurança, na estrutura da tecnologia da informação e nos planos de gerenciamento de desastres. Foi um envolvimento total, inclusive com a questão ambiental. Para cada gol feito em uma cidade eram plantadas 100 árvores.
Para os críticos do desafio ao qual o Brasil se lança agora, Grimbeek responde. “Foi uma energia inacreditável, criou-se um espírito de união devido a uma percepção muito forte de que podemos fazer muito mais do que o mundo espera de nós. Não foi somente uma Copa da África do Sul, e sim de todo o povo africano”, finalizou.
Experiência mundial

O gerente de projetos da IT&IT, Henry Grimbeek nasceu na África do Sul em 14 de novembro de 1958. É formado em administração no Reino Unido, bacharelado em comércio em Londres e mestrado em administração de empresas no Japão. Fala inglês, alemão, espanhol e japonês. Já atuou em vários países do mundo. No Japão, desenvolveu um dos seus mais importantes projetos em parceria com a Nissan, na produção do modelo Tilda. Também prestou serviços para a Renault na implantação de mineração mecanizada com extração de urânio. Na África do Sul, entre outras coisas, atuou na área de implantação de infraestrutura rodoviária, reforma do aeroporto de Wonderboom e modificações em 16 estações ferroviárias e controle de trânsito. (Rossana Espezin)

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