
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina, por intermédio da Escola do Legislativo, realizou ontem (11), na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), no município de Tubarão, um evento para debater o Programa de Combate ao Bullying Escolar. Em parceria com a prefeitura da cidade e o Ministério Público (MP), o encontro reuniu aproximadamente 450 pessoas, entre autoridades, pais e professores interessados em conhecer melhor o “fenômeno” bullying escolar e maneiras de prevenir e tratar este problema que atinge anualmente, no mundo, cerca de 350 milhões de crianças e adolescentes. A partir de um trabalho dinâmico com a participação de palestrantes, o deputado e presidente da Escola do Legislativo, Joares Ponticelli (PP), deu início às atividades falando sobre a gravidade do tema e a importância do debate.
Na condição de autor da Lei nº 14.651, sancionada em 2009 e que institui o Programa de Combate ao Bullying, de ação interdisciplinar e de participação comunitária nas escolas públicas e privadas, Ponticelli ressaltou que a proposta tem como objetivo coibir a prática nas escolas, capacitando docentes e equipe pedagógica, incluindo regras normativas, esclarecimentos sobre aspectos éticos e legais, além de desenvolver campanhas educativas, entre outras ações. “A lei vem produzindo resultados e com os debates e ações pró-ativas é possível identificar o problema. Só assim é possível o combate efetivo a um problema real que atinge um universo muito grande de estudantes. Somos parceiros do Ministério Público que, a partir do próximo mês, estará coordenando uma campanha nas escolas com o intuito de esclarecer sobre o bullying, fortalecendo os princípios da lei”, mencionou.
Segundo a promotora do MP, Priscilla Linhares Albino, o tema pede atenção e se fazem necessárias medidas urgentes, uma vez que as consequências atingem desde a baixa da auto-estima, passando pela queda do rendimento e evasão escolar, agressividade e desejo de vingança, estresse, ansiedade, fobias, dificuldades de relacionamento, chegando à depressão. “Estamos abordando uma violência que já ocorre há muitos anos e que só ganhou um nome novo, bullying. Precisamos estar atentos, pois o fenômeno bullying é um ato de agressão que causa humilhação ao ponto de intimidar uma criança a não querer ir mais à escola. Apelidos como cabeção, rolha de poço, quatro olhos são alguns dos mais usados, deixando de ser uma inocente brincadeira de criança e passando a ser uma violência”, alertou.
Diante do alto índice de casos, Priscilla aproveitou a oportunidade para informar que a partir do lançamento da campanha “Bullying, isso não é brincadeira”, no dia 1º de março, cartilhas, gibis, marcadores de páginas e cartazes que integram o material da campanha serão distribuídos. Eles trazem informações fundamentais às crianças e aos adolescentes, à família, aos responsáveis e à unidade escolar que ajudam a identificar a criança que está sendo afetada pela violência e qual o procedimento a ser adotado. “Nossa intenção com o material que será distribuído nas escolas públicas estaduais e municipais é acabar com o problema, protegendo as crianças e assegurando a elas um bom aprendizado”, salientou.
Doutoranda em Ciências da Educação e vice-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar, Cléo Fante revelou em sua palestra que o bullying pode acontecer em qualquer contexto social, desde escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e até mesmo em locais de trabalho. Porém, é no contexto escolar que o problema está concentrado. Cada vez mais próximo da sociedade, Cléo acrescenta que o bullying já registrou casos em escolas das redes pública e privada, rurais e urbanas, e até mesmo com crianças de 3 e 4 anos, ainda no ensino infantil.
Para ela, essa violência, que está cada vez mais inserida no cenário escolar, exige atenção dos educadores e pais para que consequências desastrosas não tomem maiores proporções, atingindo a parte física ou psicológica de uma criança. “Entre os prejuízos mais comuns às vítimas desse tipo de agressão estão a dificuldade de aprendizado, no desenvolvimento do processo de socialização e alteração na saúde mental e emocional”, lamentou.
Para enfrentar o bullying são necessários conhecimento, capacitação profissional e discussão do tema junto à comunidade escolar numa busca de soluções conjuntas. A maneira de intervir é através da identificação de casos e suas causas. “O bullying é uma prática de exclusão social, onde os principais alvos costumam ser pessoas mais retraídas e inseguras. Essas características acabam fazendo com que elas não peçam ajuda e em geral se sintam desamparadas, encontrando dificuldades de aceitação. São pessoas submissas e vulneráveis aos valentões da escola. Além dos traços psicológicos, as vítimas desse tipo de agressão apresentam particularidades, como problemas com obesidade, estatura, deficiência física”, acrescentou. (Tatiani Magalhães/Divulgação Alesc)

