
A exemplo dos municípios de Criciúma, Florianópolis, Taió e Chapecó, ontem foi a vez de Lages debater a descentralização da alta complexidade em pediatria e a situação da saúde na região serrana. O encontro promovido pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa reuniu parlamentares, secretários municipais de saúde, médicos especialistas e outros profissionais da saúde, que avaliaram a situação dos hospitais Tereza Ramos, Nossa Senhora dos Prazeres e, em especial, o Hospital Infantil Seara do Bem – único que possui atendimento pediátrico na região.
Presidido pelo deputado Volnei Morastoni (PT), o ciclo de audiências que está percorrendo o estado tem como meta elaborar um dignóstico das unidades de atendimento de saúde e a possibilidade e o interesse de cada município na implantação do atendimento de alta complexidade em pediatria. Segundo o parlamentar, a iniciativa é considerada positiva e vem apresentando de forma clara a realidade de cada unidade hospitalar. “Isso nos permite encaminhar ao governo do estado relatórios com as dificuldades e carências dos hospitais. Destacou também que os encontros são uma oportunidade de debater sobre a redistribuição dos recursos financeiros, para que hospitais de Santa Catarina possam atender pacientes com doenças graves, sem que eles tenham que se deslocar para tratamento na Capital”, ressaltou.
Já o deputado Dado Cherem (PSDB) lembrou que durante sua gestão como secretário de Estado da Saúde pôde verificar que, independente do problema de saúde, o paciente tem uma reação melhor e positiva quando está próximo da família. “Com a descentralização dos serviços de alta complexidade acabaríamos com os deslocamentos de pacientes e, consequentemente, teríamos uma economia na saúde pública. Precisamos avançar e reestruturar o setor da saúde, onde muitas vezes há infraestrutura, mas falta equipamento, ou tem equipamento e falta profissional”, frisou.
Na condição de representante do secretário de Estado da Saúde, Dalmo Claro de Oliveira, Valter Gomes Filho informou que o Hospital Infantil Seara do Bem tem recebido recursos do Executivo. “Sabemos que o repasse é pouco, mas estamos estudando uma proposta nova para os hospitais da região, entre elas, a implantação de um programa do Ministério da Saúde chamado Rede Cegonha, que atende algumas necessidades do Hospital Seara do Bem”.
Atento às colocações, Jean Carlos Oliveira manifestou sua opinião em nome do Ministério Público de Santa Catarina. “Nossa participação neste encontro é buscar entender o que está acontecendo com os serviços de saúde oferecidos aos catarinenses, uma vez que o número de casos que chegam ao MP revelam a carência que o setor está enfrentando. “Estamos aqui para contribuir e assegurar que a saúde pública seja realizada com qualidade”.
Carências
Entre os pronunciamentos, o secretário de Saúde de Lages, Juliano Polesc Branco, apresentou dados do Hospital Infantil Seara do Bem. Mesmo com dificuldades de custear o valor de aproximadamente R$ 1 milhão, para que a unidade continue atendendo aos 156 mil habitantes de Lages e região, o secretário revelou que, em 2010, a instituição, que tem apenas 23 médicos pediatras, realizou 22.572 consultas, contribuindo para redução de 45% na mortalidade infantil. “Nossa intenção é participar da descentralização, trazendo para Lages o centro de oncologia, porém o governo precisa contribuir financeiramente. Temos interesse em realizar as cirurgias de alta complexidade, porém não temos condições financeiras. Fica inviável avançar se sofremos com pequenos detalhes, como a falta de anestesistas”, revelou. Já o prefeito de Bom Retiro, José Antonio de Melo, mencionou que uma das dificuldades é o custeio para manter uma unidade hospitalar, principalmente no pronto-socorro.
Na visão do médico Roniero Laghi, único ortopedista pediátrico da região, a situação é lamentável. “A falta de recursos nos impossibilita de realizar atendimentos e cirurgias. Um anestesista trabalha quatro horas por dia, porém algumas cirurgias podem durar mais de quatro horas”, exemplificou. Além da falta de profissionais, Laghi disse que a tabela do SUS está completamente defasada. Em consequência, os médicos deixam de atender pelo Sistema Único de Saúde. (Tatiani Magalhães)

