Comunicação

Programa Alesc Sustentável torna Parlamento pioneiro entre assembleias legislativas na destinação ambientalmente correta de bitucas de cigarro


Valquíria Guimarães
18/09/2026 - 15h15min

Programa Alesc Sustentável torna Parlamento pioneiro entre assembleias legislativas na destinação ambientalmente correta de bitucas de cigarro

Foto: Bruno Collaço / Agência Alesc

A sustentabilidade ambiental vem ganhando cada vez mais espaço na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O programa Alesc Sustentável já apresenta resultados expressivos com uma iniciativa que alia preservação ambiental, economia circular e responsabilidade social: a instalação de sete coletores exclusivos para o descarte de bitucas de cigarro.

22,7 kg
De bitucas recolhidas
(Desde set/2025)
58.802
Filtros de cigarro
reciclados
29,4 mil
Litros de água
preservados

Pioneirismo Sustentável Os números reforçam o impacto ambiental da iniciativa, que tornou a Alesc a primeira Assembleia Legislativa do Brasil a adotar um sistema permanente de reciclagem desse tipo de resíduo.

Implantada pela Coordenadoria de Sustentabilidade e Acessibilidade, a ação integra o programa Alesc Sustentável e amplia o compromisso institucional da Casa com a adoção de práticas voltadas à redução dos impactos ambientais e à conscientização sobre o descarte correto de resíduos.

Os coletores foram instalados em pontos estratégicos do Palácio Barriga Verde e da Unidade Administrativa Presidente Deputado Aldo Schneider.  

Tecnologia transforma resíduo tóxico em matéria-prima

Após a coleta, todo o material é encaminhado para a usina da Poiato Recicla, em Votorantim (SP), única empresa do mundo em operação com validação científica para reciclagem de resíduos de cigarros. A tecnologia foi desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB), patenteada pela instituição e licenciada à empresa desde 2014.

O processo combina tratamento físico e químico para eliminar mais de 7 mil substâncias tóxicas presentes nas bitucas, além de remover completamente o odor e recuperar o acetato de celulose — material que compõe o filtro do cigarro.

Depois de descontaminadas, as bitucas passam por lavagem, descaracterização e prensagem, sendo transformadas em massa celulósica reciclada, matéria-prima utilizada na produção de papel artesanal, papel machê e diversos produtos sustentáveis.

Economia circular e inclusão social

A massa celulósica reciclada é destinada a artesãos, artistas, instituições beneficentes e projetos sociais de diferentes regiões do país, promovendo geração de renda, inclusão social e educação ambiental.

Entre as entidades beneficiadas estão APAEs, projetos de saúde mental, oficinas terapêuticas, iniciativas comunitárias e programas voltados à sustentabilidade. O material também vem sendo utilizado em escolas, oficinas de educação ambiental e pesquisas voltadas à construção civil sustentável, fabricação de mobiliário, pistas de skate e outros produtos inovadores na grande São Paulo. 

Conscientização ambiental

Para a coordenadora de Sustentabilidade e Acessibilidade da Assembleia Legislativa, Isabel Pinheiro de Paula Couto, a iniciativa representa um importante avanço na preservação ambiental ao retirar do meio ambiente um dos resíduos urbanos mais nocivos e frequentemente descartados de forma irregular.

“A bituca de cigarro é composta por acetato de celulose, um tipo de plástico que pode levar até 15 anos para se decompor, além de conter milhares de substâncias tóxicas que contaminam o solo e os recursos hídricos. Ao dar uma destinação ambientalmente correta a esse resíduo, evitamos um grande impacto ambiental e fortalecemos a economia circular na prática”, afirma.

O processo de reciclagem é realizado em parceria com a empresa Poiato Recicla, responsável pela instalação dos coletores e pelo recolhimento quinzenal das bitucas. O material é encaminhado para a usina de reciclagem da empresa, onde passa por um processo de lavagem e descontaminação que o transforma em massa de papel machê.

Posteriormente, a matéria-prima é destinada a programas e projetos sociais parceiros, nos quais artesãos produzem peças de artesanato sustentável, dando novo uso ao resíduo e ampliando os benefícios ambientais e sociais da iniciativa.

Maior legado é a conscientização ambiental

Para o diretor da Poiato Recicla, Marcos Poiato, o maior legado da iniciativa vai além da reciclagem.

“Um dos principais resultados é a conscientização. Quando existem coletores apropriados, as pessoas passam a desenvolver o hábito de descartar corretamente as bitucas, evitando que esse resíduo altamente poluente seja jogado nas ruas, calçadas, rios e praias.”

Segundo Poiato, as bitucas de cigarro figuram entre os resíduos mais encontrados no meio ambiente em todo o mundo. Elas podem levar até 15 anos para se decompor e, nesse período, liberam milhares de substâncias tóxicas que contaminam o solo e os recursos hídricos, além de provocar danos à fauna e aumentar o risco de incêndios.

Estudos científicos reforçam esses impactos. Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que duas bitucas misturadas a um litro de água produzem uma carga poluidora equivalente à de um litro de esgoto doméstico. Outro estudo, desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apontou que meia bituca de cigarro já é suficiente para provocar a morte de organismos marinhos.

Exemplo para outras instituições

Além da destinação ambientalmente correta do resíduo, a iniciativa fortalece a cultura da sustentabilidade dentro do Parlamento catarinense e reforça o compromisso da Assembleia Legislativa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao incorporar práticas concretas de gestão ambiental em sua rotina administrativa, a Alesc demonstra que o papel do Poder Legislativo vai além da elaboração de leis, servindo também de exemplo para outras instituições públicas e para a sociedade.

Em 16 anos de atuação, a Poiato Recicla já retirou do meio ambiente mais de um bilhão de bitucas de cigarro, atendendo centenas de clientes em todo o território nacional. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina é a primeira e única assembleia legislativa brasileira a integrar essa iniciativa.

Como resume o empreendedor  Marcos Poiato:  “Cidade limpa não é a que mais se varre, e sim a que menos se suja.” Ele enfatiza o pioneirismo do Parlamento catarinense que foi sensível a essa ação em prol da sustentabilidade ambiental. “Mas precisamos avançar. Um Estado referência como Santa Catarina tem que envolver cada vez mais atores nesse processo.”

Sustentabilidade ambiental no Parlamento

As leis estaduais recentes mais importantes de Santa Catarina voltadas para a sustentabilidade ambiental são a Lei nº 19.677 de 2025, que reformulou as regras de pagamento por preservação, e a Lei nº 19.255 de 2025, que criou o incentivo ao consumo de produtos reciclados. Ambas trouxeram atualizações diretas ao Código Estadual do Meio Ambiente para modernizar a economia verde catarinense. [1]

Conheça as principais leis recentes

Política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)

A Lei Estadual nº 19.677 de alterou o Código Ambiental para dar segurança jurídica ao repasse de recursos financeiros a quem protege ecossistemas. Ela viabiliza programas de fomento à conservação florestal em propriedades privadas rurais.

Foco da Lei: Modernizar a economia verde catarinense reformulando as regras de pagamento por preservação ambiental.

Design: Milene Conci / Agência ALESC

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