
O cronista esportivo Roberto Alves está sempre a postos. Enquanto autografava exemplares da biografia escrita por Paulo Brito, “Dás um banho – Roberto Alves, o rádio, o futebol e a cidade”, traçava comentários sobre a convocação do goleiro Renan, do Avaí, para a seleção brasileira, e analisava o impacto dessa notícia para a carreira do jogador e para o clube. O próprio Renan foi uma das muitas personalidades do futebol, da política, do jornalismo e de outras áreas a pedir um autógrafo para o cronista na noite de segunda-feira (26), durante o lançamento da obra biográfica, que reuniu cerca de 500 convidados no Hall da Assembleia Legislativa.
O trabalho de escrever o livro foi confiado ao amigo de infância e companheiro da crônica esportiva, o professor e jornalista Paulo Brito. Os dois cresceram juntos no Campo do Manejo, na Avenida Hercílio Luz. Brito tomou como base biografia escrita pela então estudante de jornalismo Geórgia Borini, em 1999, apresentada como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo na UFSC. Acrescentou ao trabalho feito por ela entrevistas com amigos e familiares, episódios da cidade e histórias do esporte. A tarefa exigiu 14 meses de pesquisas e entrevistas e rendeu uma obra que é, ao mesmo tempo, uma biografia pessoal e profissional de Roberto Alves e uma crônica sobre a cidade e sobre o esporte. “O livro é fruto de um trabalho coletivo. Todas as pessoas que entrevistei e que são citadas nas crônicas ajudaram nesse trabalho”, disse Brito, emocionado por ver a obra concretizada e pela oportunidade de rever tantos amigos que se fizeram presentes no lançamento.
“Eu não me dou a importância que a imprensa me dá”, disse Roberto Alves no início de seu pronunciamento, parafraseando o amigo e ator Paulo Fagundes. “Mas em 53 anos de carreira devo ter feito algo de positivo para merecer a presença de tantos amigos e personalidades que hoje me prestigiam”, completou. Ele falou de improviso, como sempre fez na televisão, e lembrou passagens da carreira e da infância humilde. Contou sobre o início no rádio, aos 15 anos, e do caminho que trilhou ao longo de mais de cinco décadas, sempre ajudado por alguém.
Sobre a autoria da expressão “Dás um banho” (elogio dito a uma pessoa que faz algo de extraordinário, conforme o dialeto florianopolitano ou ‘manezês’), Alves afirmou que utilizou esse jargão pela primeira vez na Rede Eldorado, em 1988, quando o Avaí foi campeão catarinense, para destacar alguém que estava jogando muito bem. “Não tenho certeza se fui eu que inventei isso ou se me apropriei”, disse. Ele recordou também o início do trabalho na TV, na Rede Cultura, na década de 1970, e o reconhecimento profissional alcançado na RBS TV, emissora que lhe possibilitou a participação em quatro copas do mundo.
O deputado Cesar Souza Júnior (DEM) cumprimentou o autor e o personagem, em nome da Assembleia Legislativa. Ele disse, em tom de brincadeira, esperar que o livro desvende uma grande polêmica: se Roberto Alves é torcedor do Avaí ou do Figueirense. Como avaiano, Júnior diz que os olhos do jornalista brilham mais quando o Avaí vence. Conforme o deputado, “o livro dá uma grande contribuição à cultura e a história do esporte e enriquecerá a todos os leitores com as lembranças de uma Florianópolis que muitos, como eu, não chegaram a conhecer”.
O livro “Dás um banho – Roberto Alves, o rádio, o futebol e a cidade” chega ao mercado com o selo da Editora Insular, ao custo de R$ 30. (Lisandrea Costa/Divulgação Alesc)

