
As frequentes quedas de energia em alguns municípios do Alto Vale do Itajaí vêm prejudicando produtores rurais, especialmente os fumageiros, que amargaram enormes prejuízos, comprometendo mais de 60% da safra. Uma das ações para tentar resolver o problema foi uma reunião realizada pelos deputados, por solicitação da Mesa, que aconteceu na Câmara de Vereadores de Ituporanga, na noite desta segunda-feira (8). Várias sugestões foram apresentadas, entre elas o pagamento pela Celesc de indenizações: até R$ 5 mil de forma administrativa (sem intervenção judicial) e dos reflorestamentos que precisarem ser cortados, além da aprovação de um projeto de lei nas câmaras municipais que determine o afastamento da rede elétrica das áreas de reflorestamento.
Cerca de 100 agricultores dos municípios de Imbuia, Vidal Ramos, Chapadão do Lageado, Atalanta, Agrolândia e Aurora participaram do encontro e sugeriram formas para cessar ou diminuir os danos, pois esta situação ocorre há anos. Representantes da Celesc apontaram os pontos problemáticos da distribuição e o que acarreta as quedas. Os técnicos também apresentaram propostas para que as comunidades não voltem a ficar sem energia elétrica. Segundo o administrador Regional da Celesc de Rio do Sul, Valdeci José Brito, a principal causa da interrupção de energia é a queda de cascas de eucaliptos, plantados próximos aos postes e fios elétricos situados nas propriedades rurais, que tendem a cair no verão devido à intensidade das chuvas. “Uma das soluções seria o afastamento das áreas de reflorestamento”, indicou.
Brito fez uma explanação sobre os números da empresa na região e enfatizou as principais causas do rompimento. A sua regional abrange 28 municípios e conta com 101 funcionários para atender 97 mil consumidores. Os problemas com queda de energia surgiram há menos de 10 anos, período em que grande parte dos produtores passaram a ter áreas reflorestadas como segunda fonte de renda. As árvores foram plantadas muito próximas à rede elétrica e por serem mais altas que os fios desprendem cascas sobre a rede, o que provoca curtos-circuitos que rompem o fornecimento de energia. “A Celesc sugeriu que as prefeituras apresentem um projeto de lei determinando o alargamento da rede elétrica, bem como o afastamento das árvores das estradas em 40 metros”, declarou.
Outra forma de manter a secagem do fumo é a aquisição da estufa ADL, que pode ser transformada por intermédio de um kit que custa R$ 1 mil e não necessita de eletricidade. “A aquisição deste kit pode ser feito pelo próprio produtor que não correrá mais o risco de perder a produção por falta de energia”, explicou.
Parlamentares
O 2º vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jailson Lima (PT), um dos proponentes da reunião, falou sobre a necessidade de a Casa, em parceria com o governo do Estado, tomar as medidas que ajudem os 20 mil produtores de fumo, que trabalham com 18 mil estufas e tiveram uma redução de mais de 50% no valor de sua safra, de R$ 102,00 por arroba para R$ 40,00. “O objetivo deste debate é encontrar, juntamente com vocês, as ações que devem ser realizadas para acabar com este prejuízo. Este não é o primeiro evento que prejudica os fumageiros, mas é o que pode ser resolvido”, comentou.
O deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB), outro requerente do encontro e que já foi prefeito de Ituporanga, apontou que 60% dos produtores dependem de energia elétrica. De acordo com o parlamentar, a queda de energia compromete, senão totalmente, grande parte da produção, além de prejudicar outras atividades rurais, como a refrigeração do leite.
Peninha participou de uma reunião com o presidente da Celesc Distribuição, Felipe Luz, que relatou o que estava acontecendo. “Naquele dia, o presidente disse que era para desencadear uma operação de guerra para que o problema fosse solucionado. Que se fosse falta de pessoal era para contratar empreiteiras, até sem licitação, para fazer a manutenção das linhas que são muito baixas e estão sendo prejudicadas pela altura da vegetação”, relatou.
Já o deputado Sargento Soares (PDT) responsabilizou o crescimento da demanda e a falta de infraestrutura da empresa para dar suporte aos usuários pelas quedas sistemáticas. “O problema é estrutural. A agência de Imbuia está fechada e os funcionários estão trabalhando em regime de plantão”, comentou.
Prefeitos
Os prefeitos são contra o projeto de lei proposto pela Celesc. A principal justificativa é que os produtores não farão o afastamento da vegetação sem a indenização pelo reflorestamento.
O prefeito de Ituporanga, Osni Francisco de Fraga (PSDB), disse que esta situação se arrasta há muitos anos, independente de condições climáticas. “Espero que os agricultores tenham seus prejuízos ressarcidos, já que não tomam iniciativa de ajuizar a ação pelos danos, pois muitos deles não têm acesso a advogado”, informou.
Conforme o prefeito do Chapadão do Lageado, José Bráulio Inácio – Zezé (PT), também fumageiro, a categoria está sem alternativa e o fumo ainda é a melhor cultura para os pequenos produtores rurais. “É um desespero. Os agricultores estão saindo do campo e vindo para a cidade por falta de oportunidade”, relatou.
Os fumageiros de Agrolândia tiveram, até janeiro, um prejuízo de R$ 200 mil, segundo dados fornecidos pelo prefeito José Constante (PT). No município, além do fumo, fábricas de roupas de fundo de quintal são responsáveis pela economia local. Os dois segmentos estão sofrendo com a falta de luz. “As facções estão pagando seus funcionários sem produzir. Também sugiro a participação do Judiciário para que haja indenização das plantações, porque o problema é grave”, confirmou.
Encaminhamentos:
– Conscientização dos agricultores;
– Intensificação das roçadas por parte da Celesc para maior celeridade de limpeza;
– Criação de legislação ambiental específica;
– Envolvimento do Judiciário e do Ministério Público;
– Ressarcimento aos agricultores que reflorestaram para que se procveda a retirada das árvores;
– Envolvimento da Assembleia Legislativa e do Congresso Nacional no que se refere à legislação;
– Ressarcimento imediato dos agricultores pelo prejuízo que já acumulam;
– Maior agilidade no atendimento da Celesc;
– Envio de proposta para que a Celesc possa indenizar valores até R$ 5 mil administrativamente;
– Encaminhamento de todas as denúncias para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
– Encaminhamento de todas as propostas para a direção da Celesc. (Denise Arruda Bortolon Montagna/Divulgação Alesc)

