
A captação de recursos nos ministérios para gestão de riscos geológicos depende de estudos técnicos, garantiu o geólogo e consultor de riscos Leonardo Andrade de Souza, durante o I Seminário de Gestão de Riscos Geológicos do Estado de Santa Catarina, que prossegue na tarde desta segunda-feira (21), no auditório deputada Antonieta de Barros da Assembleia Legislativa. Ele argumentou que para prever, minimizar, eliminar ou, se possível, controlar um fenômeno geológico é preciso identificá-lo e delimitar sua escala.
“Enquanto o município não souber onde estão localizadas as áreas problemáticas não é possível planejar ações”, ensinou Leonardo. Já Rodrigo Del Olmo Sato, do Crea/SC, lembrou que os estudos necessariamente devem ser assinados por profissionais habilitados, sob pena de nulidade. No caso, somente geólogos, engenheiros geotérmicos e de minas têm competência legal para assinar laudos de riscos geológicos.
Leonardo Souza defendeu o mapeamento para monitorar e prever desastres naturais, alertar a população e executar ações de gestão, como a retirada de pessoas. No caso de enchentes, segundo o consultor, é possível sim reduzir danos. Mas quando a ocupação urbana na área de risco está consolidada, a população precisa “aprender a conviver com o problema”, como acontece em Blumenau e Itajaí.
Leonardo criticou os dados cartográficos disponíveis, cujas escalas não possibilitam um estudo detalhado das áreas. “A base de entrada não dá condição de análise”, declarou. Além disso, as séries históricas estão incompletas ou inexistem, de modo que os gestores têm dificuldades de validar os modelos, tomar decisões, executar ações e captar recursos.
O professor Frederico Garcia Sobreira, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), afirmou que se não fossem as universidades públicas, notadamente a UFRJ e a USP de São Carlos, os estudos geológicos não existiriam. “Alguns professores pagaram mestrados com dinheiro do próprio bolso”, declarou. Frederico ressaltou a qualidade do banco de dados da Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE), “que congrega mais de 800 trabalhos relacionados à geologia brasileira”.
De acordo com Frederico, depois dos anos 2.000, com os desastres em Santa Catarina, Alagoas, Rio de Janeiro e Minas Gerais, “aumentou a demanda por profissionais qualificados”. Entretanto, o professor da UFOP chamou a atenção para casos “em que o próprio prefeito manda esconder os estudos para não se comprometer politicamente”. Ele defendeu a iniciativa do governo federal e dos estados no mapeamento das áreas de risco, “porque os municípios não vão dar conta”. (Vitor Santos)

