Comunicação

Região Serrana tem criminalidade abaixo da média estadual


18/05/2012 - 18h30min

Comissão de Segurança Pública – Audiência pública para discussão da segurança pública em Santa Catarina

Comissão de Segurança Pública – Audiência pública para discussão da segurança pública em Santa Catarina

Segundo o comandante da Polícia Militar do Planalto, coronel Paulo César Rodrigues, a região Serrana tem os menores índices de criminalidade do estado, “por causa do trabalho conjunto das polícias militar e civil”. A afirmação ocorreu durante audiência da Comissão de Segurança Pública realizada na noite desta quinta-feira (17), na Câmara de Vereadores de Lages.
Apesar da relativa tranquilidade, os gestores da segurança destacaram o combate às drogas e aos traficantes como o principal desafio regional. Eles reivindicaram educação em tempo integral, o fortalecimento dos Consegs e a reativação do programa “vigilante da escola”. Além disso, sugeriram a revisão das leis federais, notadamente do Código Penal, a ocupação dos presos e o fim da remuneração de R$ 900 para a família dos presos.
De acordo com a delegada regional, Luciana Rodermel, em 2012 apenas seis homicídios foram registrados em Lages e todos foram solucionados. Conforme Luciana, os delitos mais comuns na região são acidentes de trânsito, crimes de relacionamento pessoal, principalmente contra a mulher (calúnia, danos materiais e lesão corporal), furto em residência e tráfico e consumo de drogas. “As drogas influenciam muito nas estatísticas e ocupam o tempo e os recursos da polícia. Mas é como enxugar gelo”, garantiu.
Em que pese a satisfação dos gestores com a estrutura física e operacional, a região carece de efetivo. “Hoje o 6º Batalhão tem a metade do efetivo que tinha há 10 anos”, informou Paulo César. Entretanto, para o ex-deputado Sergio Godinho, “o povo está preocupado com a insegurança”. Ele citou pesquisa realizada nos bairros de Lages que constatou que para 15% dos moradores o pior problema dos bairros é a insegurança. “Você não vê a polícia na rua, está mais preocupada com o trânsito. Mas o policial na rua inibe a violência”, declarou Godinho.
O ex-deputado questionou a delegada regional sobre quantos policiais estavam de serviço naquele momento (cerca de 22 horas) nas delegacias da cidade. Luciana informou que nas DPs havia um policial de plantão e na central três, “para atender 160 mil pessoas”, completou Godinho. O coronel Paulo César reconheceu que a PM e a Polícia Civil carecem de efetivo, mas argumentou que a fragilidade está na legislação brasileira. “A nossa lei é uma brincadeira, um acinte ao cidadão de bem. Ou a sociedade acorda para mudar isso ou nós vamos ficar discutindo de quem é a culpa, quando a culpa é da própria sociedade”, desabafou.
O deputado Maurício Eskudlark (PSDB) concordou com Paulo César e afirmou que o Congresso Nacional está gestando uma lei para soltar 60 mil presos. “O problema não está no policial, ele está prendendo, a questão está na legislação que é muito branda”, declarou Eskudlark. Para o deputado Sargento Amauri Soares (PDT), a falha é do Estado, “que não oferece estrutura para que a lei seja cumprida”.
Mas, segundo o deputado Elizeu Mattos (PMDB), “é muito fácil falar que falta policial ou que a lei não ajuda, quando o problema a ser enfrentado é a droga”. Elizeu ponderou que “o crime organizado está sendo dirigido de dentro dos presídios e o estado ainda dá comida para os bandidos comandarem o tráfico”.
Já para o cidadão Daniel Vitor Bertoti, no gueto o traficante tem mais respaldo que os políticos. “O povo não está aqui porque eles acham que vocês não prestam, que não trabalham. Falta orientação política”, filosofou. Ele criticou duramente a ociosidade dos presos, quando o trabalhador tem de ralar o dia inteiro para sustentar a família. Segundo Bertoti, “enquanto nas DPs há um policial de plantão, o traficante atende 24 horas”.
O deputado Gilmar Knaesel (PSDB), que preside a Comissão de Segurança Pública, informou que o objetivo dos parlamentares é conhecer de perto a estrutura da segurança, ouvir os gestores, conhecer as ações e ouvir os cidadãos. “No final das dez audiências públicas será redigido um relatório/diagnóstico para orientar as ações da Comissão e do Executivo”, explicou Knaesel.
Participaram da audiência policiais civis e militares, bombeiros, dirigentes da Aprasc e dos Consegs, vereadores, secretários municipais, líderes comunitários e cidadãos da região Serrana. (Vitor Santos)

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