Comunicação

SBPC: reforma administrativa pode prejudicar pesquisa científica em SC


Marcelo Espinoza
09/04/2019 - 22h37min

André Ramos, secretário regional da SBPC em SC, participou da reunião da Comissão de Economia da Alesc

André Ramos, secretário regional da SBPC em SC, participou da reunião da Comissão de Economia da Alesc

FOTO: Rodolfo Espínola/Agência AL

A regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Santa Catarina está preocupada com as consequências da reforma administrativa (PLC 8/2018) proposta pelo governo estadual para as áreas da ciência, tecnologia e inovação no estado. O assunto foi discutido na reunião da Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia, Minas e Energia da Assembleia Legislativa, na tarde desta terça-feira (9).

Convidado pela comissão, o secretário regional da SBPC, André Ramos, afirmou que a reforma proposta pelo Poder Executivo pode enfraquecer ainda mais a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e acabar com o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Conciti).

“Pela proposta da reforma, a Fapesc, que já está enfraquecida, pode não receber mais recursos do orçamento do Estado”, alertou Ramos. “O projeto também revoga o artigo que trata do Conciti e não há menção ao conselho na proposta, extinguindo o órgão colegiado que propõe políticas públicas para a ciência, a tecnologia e a inovação.”

O representante da SBPC também apresentou números que apontam a diminuição nos recursos do orçamento do Estado repassados para a Fapesc. Tal situação, conforme Ramos, desrespeita a Constituição Estadual de 1989, que estabeleceu, no artigo 193, o repasse de 2% das receitas correntes do governo para investimentos em pesquisa.

Em 2017, conforme Ramos, a Fapesc deveria receber R$ 235 milhões do orçamento estadual, mas foram repassados R$ 35 milhões. Essa situação tem se repetido nos últimos anos, já que, de acordo com o professor, entre 2014 e 2017, o orçamento da fundação caiu 36%, apesar da arrecadação do Estado ter crescido no mesmo período.

“O que já era trágico se tornou catastrófico”, afirmou Ramos. “Não existe a possibilidade de manutenção de um ambiente empreendedor e inovador sem uma pesquisa científica e tecnológica sólida e forte, que vai formar os profissionais que vão alavancar o desenvolvimento econômico do Estado.”

Para o secretário regional da SBPC, a pesquisa científica tem um papel estratégico no desenvolvimento de Santa Catarina e do Brasil. “Nosso estado, que tem esse perfil da inovação, pode perdê-lo por causa da falta de investimentos em pesquisa”, alertou.

Ramos solicitou apoio da comissão para manutenção da garantia de recursos para a Fapesc, além de reestabelecer o Conciti no PLC. O relator da reforma administrativa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Luiz Fernando Vampiro (MDB), colocou-se à disposição para analisar as reivindicações da SBPC. O professor também pediu a realização de audiência pública pela comissão para tratar do repasse dos recursos garantidos pela Constituição Estadual à Fapesc.

O presidente da comissão, deputado Jair Miotto (PSC), afirmou que a ciência, a tecnologia e a inovação vão ter todo o apoio do colegiado.

“Nós temos uma vocação muito forte nessas áreas, devemos estar na vanguarda, precisamos nos posicionar com relação a isso”, disse Miotto, “Vejo boa vontade do governo estadual e na União.Precisamos unificar essas parcerias para ter o efetivo cumprimento dos 2% que a Constituição determina para a pesquisa.”

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