Comunicação

Segurança pública é tema de audiência na Assembleia Legislativa


09/08/2010 - 22h10min

O evento, proposto pela Comissão de Segurança Pública do Legislativo, foi realizado na tarde desta segunda-feira (09) no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, reunindo autoridades das polícias Civil e Militar, prefeitura de Florianópolis e Secretaria estadual de Segurança Pública, bem como representantes dos conselhos de segurança (Conseg) da região. Em pauta, a insatisfação da população com relação ao número dos efetivos usados no policiamento das cidades catarinenses. Ao final, foi anunciada a contratação de 3 mil novos policiais para o próximo ano, via concurso público.
Representando o Conseg do Pântano do Sul, órgão que reúne seis comunidades do sul da Ilha de Santa Catarina, Carlos Tadeu Lima Pires tomou a palavra para denunciar o que considera o abandono da região. “A população paga impostos e exige ser atendida, pelo menos no que se refere aos serviços básicos, como a segurança”, frisou.
O deputado Círio Vandresen (PT) disse que em São José, cidade em que mora, a população vive com uma sensação de insegurança permanente. “A sociedade precisa de um atendimento mais qualificado por parte do poder público. O direito de ir e vir não pode se restringir apenas à Constituição”, desabafou.
Segundo o presidente da Associação Metropolitana dos Consegs da Grande Florianópolis, Edson Laurentino Guimarães, os membros dos conselhos se mostram a cada dia mais desanimados com a situação da segurança no estado. “Somos o elo entre a população e as forças de segurança. Quando há problemas, é a nós que os moradores vêm reclamar. Estamos numa luta árdua e longa por melhorias”.
Para o presidente da Feconseg, Valdir de Andrade, entidade que reúne os 318 Consegs de Santa Catarina, há a necessidade de se buscar maior parceria com órgãos de segurança estaduais. Para tanto, deve ser elaborada nos próximos dias um documento intitulado Carta Santa Catarina Segura, que será enviado aos candidatos das próximas eleições, buscando compromissos na área. Paralelamente está sendo planejado o 5º Encontro Estadual das Consegs, para discutir, entre outros pontos, projetos de inclusão social que inibam a criminalidade. “Queremos conhecer iniciativas que estejam apresentando resultado, para que possamos repassá-las a todas as unidades”, afirmou.
Para o comandante Geral da PM, coronel Luís da Silva Maciel, em anos anteriores adotou-se uma gestão de recursos humanos equivocada, que está sendo reparada agora. Segundo ele, a instituição tem adotado uma política de resultados, trabalhando em cima de indicativos de criminalidade. “A cada 15 dias a Secretaria de Segurança Pública reúne os gestores de segurança pública para planejar as ações”.

Novas contratações

O diretor de Polícia da Grande Florianópolis, Anselmo Cruz, reconheceu que o número de policiais está muito aquém do considerado ideal para o policiamento da Grande Florianópolis, região que experimentou um elevado crescimento populacional nos últimos anos. “Na década de 80, contávamos com 3.500 policiais civis, número que caiu para 2.400 em 2003. Chegamos a 2010 com 3.500 policiais, ou seja, o mesmo número de há 20 anos atrás”. Segundo Anselmo, há vontade política para resolver o problema, mas o governo depara-se com dificuldades orçamentárias. “Nos próximos meses 200 novos policiais civis serão contratados, bem como 90 escrivães. Estamos em um processo de renovação, o que se refletirá também em mais dinamismo”.
Responsável pelo efetivo da Guarda Municipal de Florianópolis, o secretário de Segurança do município, Julio Pereira Machado, prevê uma melhora no policiamento das comunidades para breve. “Temos apenas 150 agentes, trabalhando em três turnos, mas planejamos um acréscimo de 650 guardas municipais”, afirmou.
Para o secretário estadual de Segurança Pública, André Mendes da Silveira, Santa Catarina tem sido discriminada no repasse de verbas federais para segurança, em virtude dos baixos indicadores de criminalidade, em comparação com o restante do Brasil. Havia a previsão de recebermos R$ 20 milhões, o que acabou não se confirmando. Isso, entretanto, não impedirá que façamos concurso público para a contração de 2 mil a 3 mil novos integrantes para a PM. O secretário defendeu ainda que, paralelamente ao aumento do efetivo, sejam desenvolvidos programas sociais. “Não é só polícia que mantém segurança. Há a necessidade de trabalhos comunitários voltados à população mais carente”, completou.
Para a deputada Angela Albino (PCdoB), a audiência teve o mérito de colocar em contato os representantes dos conselhos comunitários com as autoridades policiais. “Sabemos que não vamos resolver agora todos os problemas pendentes, mas certamente conseguiremos aqui firmar um compromisso, adotando esforços em comum para que possamos avançar”, detalhou. (Alexandre José Back/Divulgação Alesc)

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