
Abuso e exploração sexual infanto-juvenil foi o assunto da primeira palestra desta terça-feira (9) na Semana de Educação para a Cidadania, promovida pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira. O tema foi ministrado pela coordenadora Nacional do Centro de Combate à Violência Infantil (Cecovi), Maria Leolina Couto Cunha. O objetivo foi preparar os profissionais para o enfretamento do problema.
O abuso sexual intrafamiliar, ou incesto, como é popularmente conhecido, corresponde a todo ato de natureza erótica, com ou sem contato físico. “O abuso e a exploração sexual caracterizam a pior forma de exploração infantil. E é dentro do lar que a maioria dos casos acontece”, alertou a palestrante.
Pesquisas apontam que de 85% a 90% dos agressores são pessoas conhecidas das crianças, e 70% são pais. “Cerca de 50% dos agressores foram vítimas de maus-tratos na infância, 35% fazem uso abusivo do álcool e a grande maioria vem de famílias desajustadas”, explica. Para ela, é imprescindível que a sociedade e os profissionais da área trabalhem de forma preventiva com este perfil de pessoas, evitando que aconteçam os abusos, ou que eles não se repitam.
Durante a palestra, Maria Leolina falou da importância de diagnosticar os casos e de tratar as seqüelas deixadas nas vítimas. “Uma criança nunca esquecerá um abuso sexual do qual foi vítima”, explicou.
Atenção Psicossocial
A segunda palestra foi ministrada pelo professor Luciano Elia, consultor da Área Técnica da Assessoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde. O tema foi o panorama atual e os desafios para a implantação do SUS no âmbito da saúde mental infanto-juvenil.
A palestra serviu para descrever e analisar a atual situação da política brasileira de saúde mental infantil e juvenil, com foco nos Centros de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (Capsi). Para o professor, o atendimento tem evoluído na última década, com o mérito ao Programa Saúde da Família (PSF). “As equipes do PSF chegam aos locais em que ninguém mais chega. Eles conhecem de perto a realidade das famílias e são fundamentais na transmissão de dados para outros setores e não apenas à atenção básica”, explicou.
Nos Capsi as equipes devem cuidar desde a saúde de atenção básica, educação e assistência social, até os direitos dos pacientes. “Seu objetivo é oferecer atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários”.
A programação da Semana de Educação para a Cidadania continua no período da tarde. Estão previstas palestras sobre a rede de Assistência Social no âmbito do SUS, pedofilia e bullying. Também acontecerá o lançamento do material “Sinais Vitais 2010: Criança e Adolescente em Florianópolis”. (Patrícia Schneider)

