
No segundo dia de programação na Índia, a missão catarinense da Assembleia Legislativa visitou o vilarejo de Kheri, na zona rural do estado de Ragesthan, a 85 km da capital Nova Delhi. A localidade tem cerca de 2.200 habitantes que se dedicam à lavoura e à criação de animais. Para chegar à vila é preciso enfrentar alguns quilômetros de estrada de chão, mas as vielas estreitas que ligam a cidade ao campo se abriram para o mundo com a ajuda da tecnologia. Há cerca de dois anos antenas de retransmissão passaram a fazer parte da paisagem. Graças a elas, a comunidade local tem sinal de celular e acesso à internet banda larga.
Uma das antenas fica no topo da escola primária de Kheri. A unidade de uma só sala não tem lousa nem cadeiras, apenas um computador usado pelos dois únicos professores para transmitir conhecimento às 150 crianças da comunidade que freqüentam da primeira à quinta série. O sinal de internet que chega ao equipamento, protegido por uma espécie de cápsula, é resultado da tecnologia desenvolvida pela empresa VNL, que na segunda-feira (28) recebeu a visita da comitiva catarinense. Foi a chance de conferir de perto cada etapa do processo que tem como base a captação da energia solar através de painéis fotovoltaicos. Responsável pela área de desenvolvimento e gestão da empresa, Bruno Miguel dos Santos explica que o dispositivo dispõe de uma unidade que controla os níveis da energia que vai para as baterias ou para o equipamento. “Toda a informação, que seja relativa ao estado das baterias, dos painéis ou da carga, passa por essa unidade”, diz ele.
Outro ponto positivo do sistema é a possibilidade de zerar os custos com manutenção e alimentação do equipamento, uma vez que a energia gerada vem do sol. O único gasto é com a aquisição dos painéis, torres e antenas retransmissoras no momento da instalação do conjunto. Como toda a tecnologia foi desenvolvida pela VNL, o sistema pode ser moldado de acordo com a demanda. Por isso mesmo, foi o modelo adotado em centenas de comunidades da Índia, além de países como Uganda, Bolívia, Nepal e Butão. Arup Kumar Chattaraj, vice-presidente de tecnologia da empresa, diz que o sistema pode ser instalado inclusive em lugares onde não há eletricidade, já que é sustentado pela energia solar. E afirma: “com esse sistema outras 2 bilhões de pessoas que não estão cobertas poderiam ser atendidas em todas as partes do mundo”.
Para o deputado Valmir Comin (PP), que comanda a missão catarinense, o sistema poderia solucionar o problema de falta de cobertura de telefonia móvel em algumas das principais rodovias do Estado. Isso sem falar das comunidades que aguardam a chegada da internet e poderiam ser beneficiados pela tecnologia indiana. Para o parlamentar, o sistema pode proporcionar ao país a viabilidade da telecomunicação em banda larga com eficiência e qualidade para as comunidades mais interioranas de Santa Catarina. “É uma tecnologia simples, barata e confiável. Tudo que é bom e tem dado certo não é vergonhoso copiar. Essa tecnologia deverá servir, e muito, para o desenvolvimento do estado de Santa Catarina.
Nesta quarta-feira, a comitiva visita empresas com foco em áreas como educação, geração de energia e soluções sustentáveis. A programação segue até o final do dia, quando o grupo embarca para Sanya, na China.(Jucinei Cardoso)

