
A Marcha Nacional de Resistência Popular em Tegucigalpa, capital de Honduras, onde mais de 50 mil pessoas se reuniram para pedir a volta do presidente deposto Manuel Zelaya, foi o assunto da coletiva do deputado Sargento Amauri Soares (PDT). Ele acompanhou de perto as manifestações realizadas nos dias 11 e 12, na qualidade de observador e integrante de uma missão internacional de solidariedade ao povo hondurenho cujo objetivo foi intermediar pela garantia dos direitos humanos naquele país.
Segundo o parlamentar, a marcha obstruiu a Avenida João Paulo II, uma das principais vias da cidade, e chegou a até 500 metros do palácio presidencial de Honduras. “Honduras está sendo vítima de um golpe do Estado, como todos sabem. Já são 47 dias de golpe e manifestações. E manifestações espontâneas, pois não há uma coordenação. O povo sai de casa e pronto”, contou.
Soares explicou que o golpe militar em Honduras é um evento desencadeado pelo exército daquele país que, sob ordens dos poderes Judiciário e Legislativo, depôs o presidente Manuel Zelaya na manhã de 28 de junho de 2009. Zelaya foi preso em sua residência, em Tegucigalpa, e em seguida foi expulso do país, sendo enviado a San José, na Costa Rica. A prisão de Zelaya ocorreu cerca de uma hora antes de serem abertas as urnas para uma consulta popular não vinculativa sobre um referendo que pedia ao Congresso a convocação de uma Assembleia Constituinte para o país. “O Partido Liberal tem muitas vertentes porque quem assumiu o governo, como golpista, foi Roberto Micheletti, membro do partido, assim como o presidente deposto. Eles estão impedindo o povo de decidir se querem ou não a assembleia constituinte. E o pior é que os golpistas afirmam que estão fazendo isso por democracia”, completou.
Outra questão enfatizada pelo parlamentar é que a população de Honduras está participando das manifestações massivamente. “É impressionante assistir. A manifestação vai acontecendo e as pessoas estão saindo de casa e acompanhando. Eu vi uma senhora de aparentemente 60 anos pixando um muro a favor da volta do presidente Zelaya.” Soares finalizou dizendo que o que mais preocupa os observadores internacionais é que diversas nações tentaram mediar a situação e ninguém foi aceito. “A violência está aumentando. Isso me deixa muito preocupado.” (Graziela May Pereira/Divulgação Alesc)

